Um comerciante do distrito de Caramujo, em Cáceres, a cerca de 225 quilômetros de Cuiabá, defendeu que empresários da região boicotem eleitores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) após o resultado do segundo turno das eleições presidenciais. Em um áudio que circulou na noite de segunda-feira (26), o homem, identificado pela reportagem do Gazeta Digital como dono de um restaurante, também utiliza ofensas contra apoiadores do petista.
Na gravação, o comerciante afirma que deixou de atender pessoas identificadas com a esquerda e diz adotar essa postura desde 2018, quando Jair Bolsonaro (PL) foi eleito presidente pela primeira vez.
“Eu tenho oito anos que não tolero petista, eu não gosto de petista. Eu falo para eles não virem no meu comércio, eu não gosto deles”, afirma no áudio.
Em outro trecho, ele relata que a própria filha apoia o PT e diz que não pretende comprar um novo celular para ela por discordar de suas posições políticas. O homem também faz comentários ofensivos sobre familiares que votaram no partido.
Defesa de boicote e ataques verbais
O comerciante incentiva outras pessoas a adotarem a mesma postura e defende que eleitores de esquerda sejam tratados de forma depreciativa.
“Esse povo a gente tem que aprender a tratar como lixo. Esse povo é lixo”, declara na gravação.
Apesar do tom hostil, ele também demonstra confiança na atuação do Congresso Nacional para fazer oposição ao governo Lula. No áudio, menciona o desempenho eleitoral do grupo político ligado ao PL na Câmara dos Deputados e no Senado e afirma acreditar que os parlamentares poderão atuar contra o novo governo.
O episódio ocorre em meio a manifestações de intolerância política registradas em diferentes municípios de Mato Grosso após o segundo turno. Em Lucas do Rio Verde, empresários e integrantes de grupos de WhatsApp organizaram uma lista de estabelecimentos cujos proprietários seriam apoiadores de Lula, com a proposta de promover boicote comercial.
Em Mato Grosso, Flávio Bolsonaro (PL) recebeu 66,06% dos votos válidos, enquanto Lula obteve 33,94%, segundo os resultados eleitorais divulgados.
Até a publicação da reportagem original, não havia informação sobre eventual manifestação do comerciante a respeito da repercussão do áudio ou sobre medidas adotadas contra ele. O conteúdo da gravação evidencia a escalada de hostilidade política no estado após a disputa presidencial.