
Entrou em vigor nesta quarta-feira (22) a tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. A medida foi apresentada pelo governo americano como punição por práticas comerciais consideradas desleais, após investigação que envolveu temas como Pix, etanol e desmatamento na Amazônia. O governo brasileiro segue em diálogo com o setor privado e ainda estuda as medidas de resposta.
Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) indicam que a nova tarifa alcança cerca de 18% das exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos, o equivalente a US$ 7,4 bilhões com base nos embarques registrados em 2024. Considerada a pauta exportadora de 2025, a participação dos setores atingidos recua para 15% das vendas ao mercado norte-americano, somando US$ 5,8 bilhões.
Ao mesmo tempo, a medida veio acompanhada de uma lista de 2.126 exceções. O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) justificou as isenções com o argumento de que os itens excluídos são matérias-primas cuja taxação poderia provocar indisponibilidade de oferta doméstica e causar perturbações na economia americana. Entre os produtos que ficaram fora da sobretaxa estão café, suco de laranja e carne bovina.
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O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, afirmou nesta terça-feira (21), após reuniões com setores afetados, que a Lei da Reciprocidade Econômica prevê etapas, incluindo audiências públicas. Segundo ele, a orientação não é adotar retaliação imediata, mas buscar correção do que classificou como injustiça.
O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, disse que não há prazo para o anúncio das medidas brasileiras. Segundo ele, o governo está reunindo informações e dados, enquanto mantém negociações e diálogo com o setor produtivo.
Além da tarifa já em vigor, os Estados Unidos devem anunciar ainda nesta semana uma nova taxa sobre produtos brasileiros no âmbito de investigação sobre bens produzidos com trabalho análogo à escravidão. A expectativa no setor empresarial é de uma alíquota de 12,5%, com alcance mais amplo, já que a apuração envolve 59 países e também a União Europeia (UE).
Fonte: Estadão Conteúdo
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