O mercado físico do boi gordo foi pautado por um movimento mais acomodado nos negócios em agosto.
Segundo o analista de Safras & Mercado Fernando Iglesias, o mês iniciou com preços aquecidos na compra de gado, mas foram cedendo ao longo das semanas em meio à incidência de animais de parceria e a utilização de confinamentos próprios pela indústria frigorífica, em especial as de maior porte.
“Isso permitiu uma boa composição das escalas de abate. Ainda assim, a média de preços nas praças em agosto ficou acima da verificada no fechamento de julho”, contextualiza.
Para o mês de setembro, Iglesias sinaliza que o mercado tende a trabalhar com uma maior possibilidade de alta no preço da arroba.
“Esse movimento pode ser pautado por um avanço nas vendas de cortes do dianteiro bovino do Brasil aos Estados Unidos com a flexibilização de tarifas válidas pelos próximos três meses para um volume de 300 mil toneladas.”
Ainda assim, o analista reforça que não há espaço para movimentos explosivos de avanços nas cotações, uma vez que passou a valer nesta última quinta-feira (3) a interrupção dos embarques brasileiros de carne bovina para a União Europeia, devido às mudanças nas normas sanitárias com relação ao uso de antimicrobianos.
O mercado vislumbra uma possibilidade de preços melhores para arroba do boi mais para o final do ano, quando os frigoríficos começarem a fechar negócios voltados a atender novamente a China, visando o preenchimento da cota de exportação destinada ao Brasil em 2027″, destaca.
Variação da arroba entre julho e agosto
Os valores do boi gordo, na modalidade a prazo, estavam assim no dia 31 de agosto ante o final de julho:
São Paulo (Capital): R$ 345, queda de 1,43% frente aos R$ 350,00 praticados em 31 de julho
Goiás (Goiânia): R$ 335, alta de 3,08% ante os R$ 325 registrados no final do mês retrasado
Minas Gerais (Uberaba): R$ 335, avanço de 3,08% em comparação aos R$ 325 praticados no final do mês de julho
Mato Grosso do Sul (Dourados): R$ 345, ganho de 3% frente aos R$ 335 registrados no encerramento de julho
Mato Grosso (Cuiabá): R$ 330, alta de 1,54% ante os R$ 325 registrados no encerramento do mês retrasado
Rondônia (Vilhena): R$ 333, valorização de 2,46% perante os R$ 325 praticados no fechamento de julho
Preços no atacado
O mercado atacadista registrou preços de estáveis a mais baixos durante o mês de agosto. Iglesias ressalta que o setor enfrentou uma forte concorrência com outras proteínas animais ao longo do mês, como as carnes suína e de frango.
O quarto do dianteiro do boi foi cotado a R$ 20 por quilo, sem mudanças frente ao valor praticado no final de julho. Já o quarto do traseiro bovino foi precificado a R$ 26 por quilo, baixa de 1,89% ante os R$ 26,50 registrados no final do mês retrasado.
O analista de Safras & Mercado ressalta que para a primeira quinzena de setembro é esperada uma sinalização de melhora nos preços dos cortes do traseiro e do dianteiro bovinos, em meio à tradicional demanda mais aquecida no período, com a entrada de salários aquecendo a economia.