
A dois meses das eleições de 2026, o mercado financeiro começou a incorporar um prêmio eleitoral no real, em meio à possibilidade de continuidade de um governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O movimento ocorre após investidores terem mantido posições compradas na moeda brasileira durante boa parte do ano e ganhou força depois da piora da recomendação do JP Morgan para o Brasil e da exclusão dos papéis da Stone do índice MSCI Brazil.
Relatórios recentes de bancos brasileiros e estrangeiros mostram que o mercado entra na campanha eleitoral ainda com posições elevadas em real, mas já inicia a desmontagem dessas apostas. A avaliação presente nessas análises é que a consolidação de uma vantagem de Lula nas pesquisas amplia a volatilidade dos ativos locais, em um ambiente de preocupação também com a trajetória fiscal de 2027.
Segundo essas leituras, o movimento começou a aparecer primeiro no mercado de títulos públicos. O Tesouro Nacional passou a enfrentar maior dificuldade para negociar papéis ligados à inflação, como NTN-B, e prefixados, como NTN-F. Nesse tipo de dinâmica, a pressão costuma migrar depois para o câmbio.
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Na prática, investidores passaram a buscar mais títulos indexados à Selic, como as LFTs, reduzindo a exposição a ativos mais longos. A leitura é de que, se houver necessidade de mais emissões no futuro, os juros pagos pelo governo podem subir. Esse rearranjo de posições também ocorre em um momento de incerteza sobre os próximos passos do Comitê de Política Monetária (Copom), com a Selic em 14,00% ao ano.
Em entrevista ao Broadcast, o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Rogério Ceron, afirmou que o governo não enfrenta dificuldade para financiar a dívida pública e disse que o Tesouro forma um colchão de liquidez quando se aproxima o ciclo eleitoral.
No câmbio, o ajuste já aparece com mais clareza. O dólar superou a média móvel de 200 dias, em torno de R$ 5,20, acionando ordens automáticas de compra. Dados citados nos relatórios mostram que as posições compradas em BRL estavam no percentil 99 dos últimos dez anos na International Money Market (IMM), enquanto pesquisa do JP Morgan colocava o real no percentil 81 e como a segunda moeda mais comprada entre emergentes.
Com o início oficial da campanha, bancos e gestores passaram a reduzir a exposição ao real e a ampliar a busca por dólar e por outras moedas emergentes. O mercado também mantém atenção sobre a política fiscal após 2026, tema que segue no centro das análises sobre os preços dos ativos brasileiros.
Fonte: Estadão Conteúdo
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