AGRICULTURA
Calor e chuva irregular aumentam riscos no campo em agosto
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2 meses agoon
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Da Redação
Agosto terá temperaturas acima da média em praticamente todo o Brasil, enquanto a distribuição da chuva será irregular entre as regiões. O cenário favorece a colheita de milho, algodão, café e cana-de-açúcar, mas aumenta o risco de perda de umidade do solo, redução das pastagens, incêndios, maior consumo de água pelos animais e dificuldades para as lavouras mais tardias.
A previsão é do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). Os maiores desvios de temperatura deverão ocorrer nas regiões Norte e Centro-Oeste, onde as médias podem ficar até 2°C acima do normal para o mês. No Nordeste, Sudeste e Sul, o calor também deve superar a média histórica, embora frentes frias ainda possam provocar quedas temporárias de temperatura.
O início do mês já será marcado por baixa umidade em áreas do Centro-Oeste, Sudeste, Norte e Nordeste. No Tocantins, sudeste do Pará, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, oeste da Bahia, sul do Piauí e sul do Maranhão, os índices podem ficar abaixo de 20% durante as tardes. A combinação de calor, vento e vegetação seca amplia o risco de incêndios em lavouras, pastagens, reservas, palhadas e áreas de cana.
Para o produtor, a previsão exige atenção redobrada com aceiros, máquinas, redes elétricas, armazenamento de materiais inflamáveis e qualquer atividade que possa gerar faíscas. Também será necessário acompanhar a disponibilidade de água para os rebanhos, porque temperaturas mais altas elevam o consumo e podem reduzir o desempenho dos animais.
Na Região Norte, a chuva deverá ficar próxima da média em grande parte do território. Rondônia, o centro-oeste do Amazonas e o norte do Pará podem receber volumes próximos ou acima do normal. Roraima, o norte do Amazonas e o noroeste do Pará, por outro lado, têm previsão de precipitações abaixo da média.
As temperaturas devem ficar entre 1°C e 2°C acima do normal na maior parte da região, com maior aquecimento no centro e no sudeste do Pará. Em Rondônia, no Amazonas e no norte paraense, a ocorrência mais frequente de chuva pode dificultar a entrada de máquinas, elevar a umidade dos grãos e aumentar a incidência de doenças nas lavouras em final de ciclo.
No sudeste e sudoeste do Pará, no Baixo Amazonas e no Tocantins, o tempo mais seco deverá ajudar na colheita do milho de segunda safra e do algodão. A menor umidade favorece a secagem natural dos grãos e a abertura dos capulhos, mas pode prejudicar lavouras tardias que ainda estejam no enchimento dos grãos.
Em Roraima e no norte do Amazonas, o calor e a chuva abaixo da média aumentam a necessidade de água pelas culturas. O arroz irrigado merece atenção, porque parte das lavouras atravessa uma fase de maior consumo justamente durante o período mais seco. A pressão também poderá aumentar sobre rios, reservatórios e sistemas de irrigação.
Na Região Nordeste, a maior parte das áreas deverá receber chuva próxima ou abaixo da média. Apenas uma faixa do norte do Ceará apresenta possibilidade de precipitações acima do normal. No leste da região, entre o sul da Bahia e o Rio Grande do Norte, os volumes devem ficar dentro ou abaixo da média histórica.
As temperaturas poderão alcançar médias até 1,5°C superiores ao normal em grande parte do Matopiba, região formada por áreas agrícolas do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. O centro-oeste do Ceará também deverá registrar calor acima da média.
O tempo seco tende a beneficiar a maturação e a colheita de milho, algodão e sorgo. Para o algodão, a menor umidade favorece a abertura uniforme dos capulhos e reduz as perdas provocadas por chuvas durante a colheita.
O cenário é menos favorável no agreste e na faixa leste do Nordeste. Lavouras de milho de terceira safra que ainda estejam em floração ou enchimento de grãos podem sofrer restrição hídrica em Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Bahia. A falta de chuva também tende a elevar a necessidade de irrigação na fruticultura dos vales do São Francisco e do Jaguaribe.
No semiárido, o avanço do período seco poderá reduzir a qualidade e a quantidade das pastagens. O produtor deve avaliar a disponibilidade de forragem, água e suplementação antes de manter ou ampliar a lotação dos pastos. Animais expostos ao calor também precisam de acesso contínuo a água limpa e áreas de sombra.
Na Região Centro-Oeste, agosto continuará predominantemente seco, apesar da previsão de chuva acima da média no sudoeste de Goiás e no centro-sul de Mato Grosso do Sul. O centro-norte sul-mato-grossense poderá registrar volumes abaixo do normal. Nas demais áreas, a chuva deve ficar próxima da média de agosto, que já é historicamente muito baixa.
As temperaturas poderão ficar até 2°C acima do normal no norte e oeste de Mato Grosso, em grande parte de Mato Grosso do Sul e no centro-oeste de Goiás. O calor, a baixa umidade e o solo seco elevam o risco de incêndios e aceleram a perda de água por evaporação.
Para o milho e o algodão de segunda safra, o tempo firme amplia a janela de colheita e reduz interrupções no trabalho das máquinas. As lavouras tardias de milho, entretanto, podem perder peso de grãos caso ainda dependam de umidade para concluir o ciclo.
O feijão irrigado em Goiás e Mato Grosso poderá exigir ajustes na quantidade e na frequência da irrigação. O desafio será atender à maior demanda das plantas sem comprometer as reservas necessárias para o restante do período seco e para o início da safra de verão.
As pastagens devem apresentar condições melhores no sul de Mato Grosso do Sul, onde há possibilidade de mais chuva. Nas demais áreas do Centro-Oeste, a estiagem tende a reduzir a oferta de capim, aumentar a necessidade de suplementação e pressionar os recursos hídricos utilizados na pecuária.
Na Região Sudeste, a chuva deverá ficar próxima da média histórica em grande parte das áreas, com possibilidade de volumes acima do normal em pontos isolados. As temperaturas tendem a superar a média em até 1°C.
O tempo seco favorece a colheita do café e contribui para a maturação das variedades mais tardias. A manutenção do repouso fisiológico também pode ajudar na formação de uma florada mais uniforme, desde que as chuvas retornem de maneira adequada na primavera.
Para a cana-de-açúcar, o período seco facilita a entrada das máquinas e favorece o acúmulo de sacarose nos colmos, melhorando a qualidade da matéria-prima entregue às usinas. A condição também beneficia a colheita da laranja em áreas onde a chuva não causar interrupções.
O feijão, principalmente em Minas Gerais, exigirá maior atenção devido ao risco de deficiência hídrica. No noroeste mineiro, a necessidade de irrigação pode reduzir o nível dos reservatórios e comprometer a disponibilidade de água no final da estação seca.
As pastagens do Sudeste também sentirão os efeitos da baixa umidade. O crescimento das forrageiras tende a diminuir, o que pode exigir suplementação alimentar, ajuste da lotação e preservação dos piquetes com maior disponibilidade de massa verde.
Na Região Sul, o Rio Grande do Sul deverá receber chuva acima da média durante agosto. No leste do Paraná e no nordeste de Santa Catarina, os volumes podem ficar próximos ou abaixo do normal. As temperaturas devem superar a média histórica em praticamente toda a região.
A combinação de chuva e temperaturas mais elevadas favorece o desenvolvimento do trigo, da aveia, da cevada e das pastagens de inverno. O cenário também reduz a possibilidade de geadas amplas e prolongadas, embora entradas pontuais de ar frio continuem possíveis ao longo do mês.
O excesso de umidade será o principal risco para os produtores gaúchos. O ambiente quente e úmido favorece doenças fúngicas e manchas foliares, exigindo monitoramento das lavouras e atenção ao momento correto das aplicações. A chuva frequente também pode dificultar a entrada de máquinas para adubação e controle fitossanitário.
Nas pastagens, solos encharcados ficam mais sujeitos à compactação causada pelo pisoteio. O ajuste da carga animal e a alternância dos piquetes podem reduzir danos e facilitar a recuperação das áreas.
O comportamento do clima durante agosto também será influenciado pelo El Niño, fenômeno caracterizado pelo aquecimento acima do normal das águas do Oceano Pacífico Equatorial. As condições do fenômeno estão presentes e devem continuar até o verão de 2026/27. A tendência é de maior irregularidade das chuvas no Norte e Nordeste e de mais precipitações no Sul, mas os efeitos não ocorrem da mesma forma em todos os estados.
Para o produtor rural, agosto deverá oferecer boas janelas para a colheita em grande parte do País, mas exigirá planejamento. No Centro-Norte, o desafio será preservar água, pastagens e lavouras tardias. No Sul, a atenção estará concentrada no excesso de umidade e nas doenças. Em todas as regiões, os alertas diários devem ser acompanhados, porque frentes frias, tempestades e ondas de calor podem alterar temporariamente a tendência prevista para o mês.
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