O Brasil é um país que recebeu e acolheu povos de diferentes origens, com as dores e os sofrimentos de imigrantes, voluntários ou não. Ao lado dos povos originários, construímos aquilo que o sociólogo italiano Domenico De Masi definiu como “a mais espetacular civilização tropical, o maior melting pot, cuja missão é ensinar o mundo a ser mais brasileiro”.
Não somos perfeitos, e ninguém é. Temos problemas, mas basta percorrer o mundo para encontrar tantos outros.
A pesquisa Marca Brasil, realizada com cerca de 470 mil participantes em diferentes países e em todos os estados brasileiros, apontou quatro grandes atributos associados à imagem do país: natureza, turismo, agronegócio e um povo afetivo.
A polarização e a divisão do povo brasileiro representam forças de destruição, uma entropia provocada e estimulada. Neste momento da nossa história, precisamos de lucidez e sensatez para compreender nosso dever com o Brasil e com o mundo.
Para isso, considero fundamentais algumas iniciativas:
Superar os ciclos históricos de esquerda versus direita, colocando os interesses do país acima das disputas ideológicas;
Exercitar a autocrítica, com avaliações isentas tanto da situação quanto da oposição;
Construir um plano estratégico de Estado, reunindo os setores público e privado em torno de objetivos comuns;
Planejar o complexo do agronegócio brasileiro, com metas, caminhos definidos e foco em dobrar de tamanho;
Fortalecer o cooperativismo como modelo de geração de prosperidade, agregação de valor e distribuição de oportunidades;
Valorizar a ciência como o gene de um futuro que já está presente;
Investir em inteligência de comunicação, pois é por meio dela que a realidade chega às pessoas e influencia suas percepções.
A pacificação lúcida exige força de caráter e coragem. A ausência de dúvidas e o radicalismo, muitas vezes, representam o caminho mais cômodo para acusar os outros. É a fórmula milenar da covardia, frequentemente acompanhada pela estratégia da vitimização.
Egonomias destroem a economia.
Ray Goldberg (in memoriam), criador do conceito de agribusiness, certa vez me deu aquele que considerava seu maior conselho aos líderes mundiais:
“Parem de dividir o mundo. Assim como cada elo do agribusiness precisa do outro, precisamos reunir os diferentes para termos uma chance de sermos convergentes!”
Somos um sistema de saúde e de cidadania agroalimentar: health system e food agricitizenship.
Também vale recordar a orientação de Alysson Paolinelli (in memoriam):
“Não esperem tanto de governos. Cabe à sociedade civil organizada comandar.”
A ideia de um “Brasil, país da paz” também nos inspira por meio de outro líder cuja obra fala por si: o Dr. Roberto Rodrigues.
Que a sensatez, a lucidez e a evolução humana, acompanhadas do legítimo amor, orientem nossos caminhos.
E que o Hino da Proclamação da República nos ajude a recordar:
“Somos todos iguais! Ao futuro
Saberemos, unidos, levar
Nosso augusto estandarte que, puro,
Brilha, ovante, da Pátria no altar!”
Com letra de Medeiros e Albuquerque e música de Leopoldo Miguez, esses versos merecem ser lembrados.
Vale relembrar. E, sobretudo, refletir.
*José Luiz Tejon é jornalista e publicitário, doutor em Educação pela Universidad de La Empresa/Uruguai e mestre em Educação Arte e História da Cultura pela Universidade Mackenzie.
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