SAÚDE
Ministério da Saúde destaca contribuição de migrantes para o fortalecimento do SUS
Published
2 meses agoon
By
Da Redação
No Dia Nacional do Migrante, celebrado em 19 de junho, o Ministério da Saúde (MS) reconhece a contribuição das pessoas migrantes para o fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS) e reafirma seu compromisso com a valorização da diversidade, da inclusão e da cooperação entre povos na construção de uma saúde pública universal, equitativa e de qualidade. Instituída pela Lei nº 14.678, a data também marca o início da Semana do Migrante e do Refugiado, realizada entre 19 e 23 de junho.
Anualmente, durante o período, são promovidos debates sobre direitos, dignidade, integração e reconhecimento das contribuições das pessoas que cruzaram fronteiras e hoje contribuem para o desenvolvimento do país. No MS, essas trajetórias se traduzem em cuidado, inovação, troca de experiências e fortalecimento das políticas públicas. Ao ultrapassar limites geográficos em busca de novos horizontes, essas pessoas trouxeram conhecimentos e heranças culturais que hoje se refletem no aprimoramento contínuo do SUS.
O trabalho é impactado por profissionais de diferentes nacionalidades que atuam em áreas como assistência, vigilância em saúde, gestão, pesquisa, ensino e atenção. Por meio de suas vivências, formações e trajetórias, essas pessoas ampliam perspectivas, fortalecem práticas e contribuem para qualificar as ações e os serviços de saúde em todo o país.
Marcas da guerra, adaptação cultural e acolhimento no Brasil
A coordenadora-geral de Articulação Interfederativa da Secretaria Executiva do Ministério da Saúde, Fatima Ali, é palestina. Enfermeira de formação e servidora aposentada da Secretaria Municipal de Porto Alegre, a profissional atua no SUS há 20 anos. Filha de pai palestino da região norte da Cisjordânia, Ali relembra as dificuldades da adaptação cultural e da resistência para a sobrevivência do seu povo, após 78 anos da catástrofe que provocou o deslocamento forçado de 750 mil palestinos durante a Guerra Árabe-Israelense. “O fenômeno não é resultado de conflitos pontuais, mas de extermínio. Lutamos para manter vivos os laços familiares”, relata ao citar o que mais a marcou no percurso de adaptação e acolhimento em outro país.
A enfermeira explica o que pensa e como se sente atuando há duas décadas no sistema de saúde brasileiro. “O SUS é um grande desafio, a maior política social do mundo, inclusiva, universal. É a prática da constante solidariedade, do reconhecimento das diversidades e dos territórios”. Quando perguntada sobre qual mensagem deixaria sobre acolhimento, cooperação e construção coletiva na saúde pública, ela faz um convite à reflexão e à justiça. “Imagine você sendo forçado a sair [do seu país] sem olhar para trás. A sensação do desterro é permanente. É necessário manter viva a esperança como princípio fundamental para sobreviver à limpeza étnica. Por um mundo mais justo!”, conclui.
Estudos, mudança de vida e ascensão profissional
A nutricionista Maria del Pilar Flores-Quispe, de 44 anos, é peruana e atua como consultora no Departamento de HIV/Aids, Tuberculose, Hepatites Virais e Infecções Sexualmente Transmissíveis da Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente do MS. No Peru, atuou em sua área de formação em serviços de alimentação, academia, hospital, presídio, projetos de assistência e numa prefeitura, mas vislumbrava avanços acadêmicos e profissionais que pareciam inacessíveis. “Queria realizar um mestrado, mas a pós-graduação no Peru é muito cara, mesmo em universidades públicas. Soube que no Brasil davam bolsas de estudo, eu lia relatórios da UNICEF e via que o país era destaque na América Latina no avanço de indicadores nutricionais e de saúde. Isso me motivou a buscar uma oportunidade. Em 2015, houve um chamado para latino-americanos e consegui obter uma vaga para o mestrado em Epidemiologia na Universidade Federal de Pelotas, no Rio Grande do Sul”, conta.
Ao citar o que mais a impactou no processo de migração, a peruana destaca a dificuldade com o idioma e as mudanças progressivas na ascensão social. “Me marcou falar o que realmente sentia em outra língua, como se não pudesse traduzir, mesmo já sabendo português. Também estava me incorporando a outro nível social. No Peru, minha mãe e eu pertencíamos à classe baixa, e aqui, por causa do ambiente acadêmico, parecíamos pertencer à classe média. Isso foi um choque, pois essa transição estava acontecendo fora do meu país”, explica.
Pilar diz que suas experiências anteriores e trajetória migratória foram fundamentais para a atuação profissional. “Não é instintivo e fácil entender que há um sistema de saúde como o SUS, que não existe em outros países da América Latina. Isso ajuda na interação com outros estrangeiros em projetos ou instituições, para explicar a dimensão do SUS e como ele realmente faz toda diferença na saúde da população que vive aqui, assim como faz diferença na minha saúde e da minha mãe, que mora comigo há um ano. A oportunidade de eu ter morado em diferentes regiões do Brasil tem me ajudado a compreender mais da dimensão territorial e cultural do país”, afirma.
Entre culturas, aprendizados e compromisso com a saúde pública
Jesualdo Costa, de 38 anos, é natural de Guiné-Bissau, um país lusófano com cerca de 2 milhões de habitantes localizado na África Ocidental. Ele atua na Coordenação-Geral de Provimento Profissional no âmbito do Programa Mais Médicos no Brasil e integra a equipe da Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde do MS. Licenciado em Letras/Língua Portuguesa pela Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira, mestre em Teoria e Crítica da Literatura e Cultura, e doutorando em Literatura e Cultura pela Universidade Federal da Bahia. Vive há 13 anos no Brasil. Para ele, trabalhar no SUS significa aprender e compartilhar.
“Venho de Guiné-Bissau, onde a saúde é um grande desafio. Contribuir para um sistema universal como o SUS significa aprender e colaborar. É a oportunidade de vivenciar um modelo que busca garantir acesso à saúde para todos, ao mesmo tempo em que fortaleço meu compromisso com a equidade e a qualidade da assistência”. O profissional contextualiza, ainda, as motivações da migração. “Migrantes não estão aqui apenas pela oportunidade de trabalho, mas também para compartilhar as experiências e vivências que trazem de outras realidades. Essa troca fortalece o cuidado e o próprio sistema. Muitos também vivenciam a importância do SUS como, talvez, a única opção de acesso à saúde, o que reforça ainda mais o compromisso com a luta por um cuidado mais justo e acessível”.
Jesualdo enfatiza que o SUS também se fortalece com a contribuição de profissionais migrantes e exemplifica citando a atuação dos médicos cubanos no Programa Mais Médicos. “Essa experiência mostra que o acolhimento e a cooperação salvam vidas. No fim, todos somos migrantes em nossas trajetórias, e é essa diversidade que fortalece a saúde pública. Que possamos seguir com base no acolhimento, na cooperação e no respeito às diferenças, guiados pelo princípio do Ubuntu: “eu sou porque nós somos”. É na coletividade que encontramos a força para cuidar melhor de todos”, declara.
Saúde para migrantes, refugiados e apátridas
No Brasil, o direito à saúde das populações migrantes, refugiadas e apátridas é assegurado pelos princípios de universalidade e equidade do SUS e respaldado por marcos legais como a Lei de Migração, que garante o acesso a direitos e serviços públicos sem discriminação por nacionalidade ou condição migratória. No âmbito do Ministério da Saúde, normas e iniciativas recentes têm buscado fortalecer esse acesso por meio da qualificação dos serviços, da redução de barreiras documentais e culturais e da construção de uma Política Nacional de Saúde voltada a essas populações, reafirmando o compromisso com o cuidado integral e a inclusão.
Essas populações são atendidas de forma universal e gratuita, assim como acontece com as pessoas nativas. As ações e estratégias para o cuidado em saúde no âmbito da Atenção Primária estão focadas em afirmar a necessidade de promover acesso à saúde e qualificar os serviços para o melhor cuidado e acolhimento. Na chegada ao país, são orientadas a realizar o cadastramento no e-SUS APS. Os profissionais que recepcionam e realizam o primeiro atendimento são orientados, também, a considerar os aspectos interculturais, para garantir o respeito às diferenças identitárias, enfrentar preconceitos e promover uma abordagem humanizada que considere os contextos socioculturais da comunidade.
Suellen Siqueira
Ministério da Saúde
Círculos de paz chegam a 67 escolas estaduais e fortalecem cultura do diálogo entre os estudantes
Medicamento inovador ofertado no SUS reduz em até 85% as internações de pessoas com fibrose cística
Parceria com Judiciário proporciona Círculos de Construção de Paz nas escolas públicas de Sinop
STF analisa pautas cruciais sobre terras indígenas e meio ambiente
Mutirão Pai Presente: CEJUSC de Rondonópolis realiza reconhecimento de paternidade gratuitamente
STF invalida redução de ICMS para cervejas com suco de caju no Piauí
Mercado do boi gordo enfrenta dificuldade para alongar escalas de abate; confira os números
PLP sobre combustíveis segue na pauta da Câmara para esta terça-feira
Biobanco de algas preserva patrimônio genético e fortalece pesquisas para o agro
Receita libera consulta a lote especial de cashback do IR nesta quarta-feira
ECONOMIA
Latam lança voos diretos de Rondonópolis a Guarulhos e Cuiabá a Curitiba
A Latam Airlines Brasil confirmou ao Governo de Mato Grosso mais duas novas rotas para o Estado dentro do plano...
MT arrecada R$ 35 bilhões em impostos e supera ritmo de 2025, aponta Impostômetro
Com oito dias de antecedência em relação ao registrado no ano passado, Mato Grosso alcançou, neste domingo (2), a marca...
SiGMA North America promete ampliar oportunidades para empresas nas Américas
Entre os dias 1 e 3 de setembro, a Cidade do México sediará o SiGMA North America, encontro que reunirá...
POLÍTICA
“Nós deixamos uma marca”, diz Juca ao relembrar concurso realizado na Câmara de Cuiabá durante sua presidência
O deputado estadual Juca do Guaraná (psdb) recebeu, nesta quarta-feira (15), em seu gabinete, o presidente do Instituto Nacional de...
Sindicato cobra solução urgente para descontos de consignados
A recente Operação Fugazi, deflagrada pela Polícia Federal (PF) contra fraudes bilionárias em empréstimos consignados, comprova o que o SINDSPPEN-MT...
Juca do Guaraná se posiciona contra pedágio entre Livramento e Poconé e cobra solução sem novos custo
O deputado estadual Juca do Guaraná (PSDB) manifestou preocupação com a possibilidade de implantação de pedágio nas rodovias MT-060 e...
SAÚDE
Medicamento inovador ofertado no SUS reduz em até 85% as internações de pessoas com fibrose cística
O uso do medicamento Trikafta no tratamento da fibrose cística reduziu em até 84,8% as internações de pacientes no Sistema...
Lei prorroga aplicação de recursos do FGTS a entidades hospitalares filantrópicas que atuam no SUS
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou nesta quinta-feira (6/8) o Projeto de Lei nº 2465/2026, que prorroga o...
Legados que transformaram a saúde brasileira: Ministério da Saúde homenageia 12 personalidades
A cantora, compositora e enfermeira Dona Ivone Lara, que incorporou práticas de terapia ocupacional que inspiram o cuidado psicossocial; Anna...
CIDADES
Cuiabá tem baixa cobertura contra Influenza e alerta para risco de casos graves
Prefeitura de Cuiabá, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), por intermédio da Secretaria Adjunta de Atenção Primária, reforça...
TCE cita riscos a alunos e manda corrigir problemas no transporte escolar
Após identificar irregularidades que comprometem a segurança do transporte escolar em Chapada dos Guimarães, o Tribunal de Contas de Mato...
UPAs de Cuiabá garantem atendimento rápido a pacientes com suspeita de AVC
As quatro Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) de Cuiabá seguem um protocolo rigoroso para garantir que pacientes com suspeita de...
AGRICULTURA
STF analisa pautas cruciais sobre terras indígenas e meio ambiente
O Supremo Tribunal Federal (STF) inicia uma série de julgamentos que podem impactar significativamente a pauta socioambiental do Brasil. Entre...
Carga de vinhos importados ilegalmente da Argentina é apreendida
Foto: Polícia Federal A Polícia Federal, em ação conjunta com a Polícia Militar do Paraná e com a Receita Federal,...
Durigan diz que juros no nível atual são problema para a economia brasileira
Foto gerada por IA O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta quinta-feira (6) que a taxa de juros no...
POLÍCIA
Vigia Mais atinge 22.700 câmeras de videomonitoramento levadas aos 142 municípios mato-grossenses
O Programa Vigia Mais MT atingiu, neste mês de julho, a marca de 22.700 câmeras levadas aos 142 municípios e...
Governo inaugura 2ª Delegacia da Mulher do dia no Médio-Norte de MT: “Estado tem pressa em combater violência doméstica”, afirma governador
O Governo de Mato Grosso reforçou, nesta quinta-feira (2.7), o combate à violência contra a mulher no interior do Estado,...
Sesp entrega 78 câmeras do Vigia Mais MT a Pontes e Lacerda para apoiar ações de combate à criminalidade
A Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp) entregou, na tarde desta quarta-feira (1º.7), 78 câmeras do programa Vigia Mais...
Trending
-
ESPORTES2 anos agoAtlético-MG empata com Juventude e perde chance de subir na tabela
-
OPINIÃO2 anos agoJovem Advocacia Forte!
-
ESPORTES2 anos agoInternacional é derrotado pelo Rosario Central na primeira partida dos playoffs da Sul-Americana
-
ESPORTES2 anos agoCorinthians supera o Criciúma em noite de estreias e virada emocionante
-
ESPORTES2 anos agoReviravolta no caso Gabigol: processo é anulado e atacante volta a ser suspenso
-
OPINIÃO2 anos agoA educação transforma
-
OPINIÃO1 ano agoInvenções
-
OPINIÃO2 anos agoEmpowerment e accountability


