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Cuiabá volta a registrar aumento no endividamento das famílias sem avanço da inadimplência

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Interrompendo uma sequência de cinco meses de queda, o índice de endividamento das famílias em Cuiabá voltou a subir em agosto, atingindo 83,5%. A variação observada foi de apenas 0,2 ponto percentual em relação ao mês anterior. Em números absolutos, o índice atual corresponde a pouco mais de 209,5 mil famílias com contas ou dívidas a pagar na capital mato-grossense.

Apesar do crescimento momentâneo do endividamento, a pesquisa elaborada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) mostrou estabilidade entre as famílias com dívidas em atraso, mantendo o percentual em 16,3% neste mês, o mesmo registrado em julho.

Conforme avaliação do Instituto de Pesquisa e Análise da Fecomércio Mato Grosso (IPF-MT), a estabilidade da inadimplência diante do aumento do endividamento indica que a maior contratação de dívidas não se converteu, até o momento, em uma deterioração proporcional da capacidade de pagamento das famílias.

Cuiabanos reduzem uso do cartão de crédito

Apesar de representar a maior fatia entre os tipos de dívida das famílias, o uso do cartão de crédito apresentou leve retração na comparação mensal, passando de 87,6% em julho para 86,9% em agosto. As modalidades seguintes são os carnês, que representam 19,3% das dívidas, seguidos pelos financiamentos, como os de automóveis, com 7,9%, crédito pessoal, com 7,7%, crédito consignado, com 6%, e financiamento imobiliário, com 5%.

Para o presidente da Fecomércio-MT, Sebastião Gonçalves (Tião da Zaeli), o cartão de crédito tem deixado de ser uma opção para algumas famílias em razão das elevadas taxas de juros, que ultrapassam 436% ao ano, segundo dados de julho de 2026 do Banco Central do Brasil.

Ao comentar os resultados da pesquisa, Tião destacou que a concentração das dívidas no cartão de crédito evidencia a preferência por uma modalidade de acesso rápido ao consumo. “No entanto, seu uso também aumenta a exposição das famílias aos custos financeiros associados ao crédito rotativo”, explicou o presidente da Fecomércio-MT.

Ainda conforme dados do Banco Central, o parcelamento do cartão de crédito apresenta taxa de juros de 189,3% ao ano.

Dívidas prolongadas limitam poder de compra

A opção pelo parcelamento “a perder de vista” compromete o poder de compra das famílias por um longo período. Conforme pesquisa da CNC, 37% dos participantes responderam que estão nessa situação há mais de um ano, seguidos por 33,5% que informaram estar endividados entre três e seis meses. Outros 18,6% possuem dívidas há até três meses. Já uma em cada dez famílias (10,2%) está endividada entre seis meses e um ano.

Ao analisar esse cenário, Tião da Zaeli observou que “o elevado comprometimento com dívidas de longo prazo demonstra que parte relevante das famílias permanece com sua renda futura vinculada a obrigações financeiras, limitando a margem para novos gastos”.

Já com relação à possibilidade de quitar as dívidas em atraso, 40,1% dos respondentes acreditam que não terão capacidade de quitar o valor em aberto, enquanto 30,6% esperam conseguir pagar ao menos uma parcela e 28,7% informaram que conseguirão liquidar o total devido. Em relação ao total de famílias com dívidas em atraso, 6,5% acreditam que não conseguirão quitar seus débitos, resultado superior aos 6,2% registrados em julho.

Situação local melhor que a nacional

No cenário nacional, a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC) apresentou comportamento estável, permanecendo na faixa de 82,0% em agosto. Isso significa que o total de famílias endividadas no país permanece em torno de 14,97 milhões.

Já entre as famílias em situação de inadimplência, houve leve retração, passando de 5,54 milhões em julho para 5,53 milhões em agosto.

Segundo análise do IPF-MT, a diferença entre o comportamento observado em Cuiabá e a estabilidade do indicador nacional reforça a influência das condições locais de renda, emprego e atividade econômica sobre as decisões de crédito das famílias, indicando que o cenário da capital mato-grossense permanece ligeiramente mais favorável do que a média nacional.

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