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soja fica à espera de mudanças que podem mexer com o comércio global

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O mercado de soja atravessou os últimos dias com oscilações voláteis, mas sem conseguir estabelecer uma direção clara. Na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT), as cotações seguem lateralizadas, embora permaneçam em níveis firmes. No Brasil, os preços também sustentam patamares importantes, mas a liquidez diminuiu diante do avanço da comercialização da safra atual.

Segundo o analista da Safras & Mercado, Rafael Silveira, os agentes continuam atentos a fatores que possam definir os próximos movimentos dos preços. Enquanto isso, o mercado segue à espera de novos sinais para sair do intervalo observado nas últimas semanas.

No cenário internacional, os fortes volumes de exportações programadas pelos Estados Unidos continuam dando sustentação ao mercado. A colheita norte-americana também avança sem grandes problemas até o momento.

O clima, porém, começa a ganhar espaço nas avaliações dos agentes. A previsão de maiores volumes de chuva nas próximas semanas pode influenciar o ritmo dos trabalhos no campo e acrescentar um novo fator de volatilidade às cotações.

“A janela climática para as próximas semanas mostra maiores precipitações esperadas, sendo um ponto de atenção para o mercado”, observa Silveira.

Encontro EUA-China

Outro fator que mantém os operadores em espera é o encontro entre os presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da China, Xi Jinping. O mercado acompanha a possibilidade de mudanças nas relações comerciais entre os dois países, principalmente em relação às tarifas.

De acordo com Silveira, eventuais alterações nas tarifas poderiam provocar movimentos mais fortes nas cotações e até estimular uma recuperação dos preços.

Enquanto Chicago aguarda novos fatores capazes de definir uma direção, o mercado brasileiro apresenta poucas novidades. Os preços tiveram comportamento misto nos últimos dias, mas permaneceram dentro de uma faixa relativamente estreita.

As cotações continuam firmes, porém os negócios diminuíram. A comercialização avançou de forma significativa nos últimos dois meses, reduzindo a necessidade de novas vendas por parte dos produtores.

Outro fator é o elevado volume de soja já movimentado pelos portos brasileiros. Mais de 105 milhões de toneladas já passaram pelo sistema portuário, o que contribui para um mercado mais abastecido e com menor pressão imediata por novos negócios.

“Por isso, os negócios foram mais limitados, enquanto o produtor vai mudando o foco para o plantio da safra nova”, aponta Silveira.

Com a comercialização da safra atual mais avançada, o mercado começa a dividir as atenções entre os estoques disponíveis, o desempenho das exportações norte americanas, o clima e as decisões comerciais entre Estados Unidos e China. Esses fatores devem continuar influenciando o comportamento da soja nas próximas semanas.

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