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Plano Safra 2026/27 recebe críticas do agro; entidades cobram mais crédito e seguro rural

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Foto: Marcelo Camargo/ Agência Brasil

O anúncio do Plano Safra 2026/27, que destinou R$ 525,1 bilhões à agricultura empresarial, gerou críticas entre entidades representativas do agronegócio e da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA).

Embora o governo tenha destacado o crescimento de R$ 9 bilhões em relação ao ciclo anterior e a redução das taxas de juros em algumas linhas de crédito, representantes do setor avaliam que o programa ficou aquém das necessidades do campo, principalmente diante do elevado endividamento dos produtores e da redução dos recursos subvencionados.

A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp) afirmou que o principal problema não é apenas o volume de recursos, mas a ausência de medidas concretas para enfrentar o crescente endividamento rural. A entidade defende uma política agrícola permanente, com regras estáveis, fortalecimento do seguro rural e mecanismos de reestruturação das dívidas, argumentando que novos financiamentos, sozinhos, não resolvem a situação financeira dos produtores.

O Sistema da Federação de Agricultura do estado do Paraná (Faep) também considerou que, apesar do valor recorde anunciado, as condições de acesso ao crédito continuam pouco atrativas.

Segundo a entidade, as taxas de juros permanecem elevadas para um cenário de margens apertadas, perdas climáticas e aumento do endividamento. A federação paranaense destacou ainda que o Plano Safra 2025/26 contratou menos de 80% dos recursos disponibilizados, demonstrando que o problema não está apenas no volume de crédito, mas na capacidade dos produtores de acessar essas linhas.

A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), por sua vez, criticou a redução dos recursos equalizados,que passaram de R$ 113,8 bilhões para R$ 97 bilhões, e a queda dos valores destinados ao custeio e à comercialização, considerados essenciais para o financiamento da produção.

A bancada também questionou a inclusão de recursos de outros programas na composição do volume total anunciado, avaliando que essa metodologia inflou os números do Plano Safra. Para a FPA, sem os valores incorporados do Move Agricultura e do Ecoinvest Brasil, o volume efetivo destinado ao crédito rural seria inferior ao da safra passada.

A frente também demonstrou preocupação com os sucessivos cortes no orçamento do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) e reafirmou que continuará defendendo, no Congresso Nacional, propostas para a renegociação das dívidas dos produtores e o fortalecimento do seguro rural.

Entre os pontos convergentes das manifestações está a avaliação de que o Plano Safra 2026/27 não enfrentou os principais desafios estruturais do setor. As entidades defendem maior previsibilidade na política agrícola, ampliação dos recursos para o seguro rural, condições de crédito mais competitivas e uma solução definitiva para o elevado endividamento que afeta produtores em diversas regiões do país.

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