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IATF supera 250 milhões de protocolos no Brasil; veja o segredo da eficiência na cria

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Botijão com semen bovino para os protocolos de IATF na fazenda. Foto: Reprodução

A Inseminação Artificial em Tempo Fixo (IATF) se consolidou como a principal alavanca do melhoramento genético e da eficiência reprodutiva na pecuária de corte e de leite no Brasil.

Em entrevista ao Giro do Boi desta terça-feira (18), o professor doutor Pietro Baruselli, da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo (FMVZ-USP), apresentou dados históricos levantados pela instituição. Desde 2002, o país já ultrapassou a marca acumulada de 250 milhões de procedimentos de sincronização hormonal.

No início dos anos 2000, o volume de inseminações realizadas por IATF representava menos de 1% do mercado nacional. Atualmente, a técnica responde por mais de 90% de todas as inseminações feitas no território brasileiro, alcançando uma escala de cerca de 25 milhões de sincronizações anuais. A projeção da Associação Brasileira de Inseminação Artificial (Asbia) para a temporada de 2026 indica um novo recorde na comercialização de sêmen, devendo atingir 30 milhões de doses vendidas, impulsionadas pela recuperação dos preços do bezerro.

Adoção da biotecnologia

A adoção da biotecnologia justifica-se pelo elevado retorno financeiro entregue ao pecuarista de cria. Análises econômicas desenvolvidas pela USP comprovam que, para cada R$ 1,00 investido no protocolo de IATF em comparação com a monta natural exclusiva, o produtor obtém um retorno que varia de R$ 4,00 a R$ 6,00 na venda do bezerro desmamado.

O impacto econômico estende-se por toda a cadeia, engajando uma rede de mais de 7 mil médicos-veterinários e técnicos qualificados no campo.

O grande diferencial estratégico da IATF está na capacidade de induzir a ciclicidade e inseminar matrizes zebuínas no início da estação de monta, mesmo quando mantidas em anestro pós-parto no pasto. Como a gestação bovina dura entre 290 e 295 dias, a fêmea dispõe de uma janela limite de 70 dias após o parto para emprenhar novamente e garantir o intervalo entre partos ideal de 12 meses.

Benefícios da IATF

Emprenhar a fêmea no primeiro mês da estação assegura o nascimento do “bezerro do cedo“, categoria que se desenvolve aproveitando o pico de produção de leite da mãe nas águas e desmama significativamente mais pesada. Além disso, a antecipação da prenhez concede mais tempo para que a matriz recupere a condição corporal e reconceba com facilidade no ciclo reprodutivo seguinte, eliminando os prejuízos causados pelo atraso na parição.

Para obter taxas de concepção superiores a 50% já no primeiro serviço, o trabalho de preparação precisa começar ainda na seca, com a gestão do Escore de Condição Corporal (ECC) do rebanho. Em novilhas precoces de 12 a 14 meses, a entrada no protocolo exige peso de referência em torno de 300 kg e deposição de gordura subcutânea (ECC de 3,0 a 3,5 em escala de 1 a 5), estímulo necessário para a liberação do hormônio leptina e maturação do aparelho reprodutor.

Segurança alimentar

A aplicação dos protocolos hormonais atua sincronizando a ovulação por meio do uso de hormônios bioidênticos administrados em concentrações fisiológicas. Pesquisas recentes conduzidas pela USP atestam que a IATF é uma prática segura para o bem-estar animal e para a segurança alimentar, sem deixar resíduos na carne ou no leite.

Em propriedades que adotam o conceito de “Touro Zero” — operando sem touro de repasse a campo —, a aplicação de até três serviços sucessivos de IATF e ressincronização atinge taxas de prenhez acumuladas acima de 80%. A blindagem sanitária do rebanho por meio de vacinas contra IBR, BVD, Leptospirose e Campilobacteriose é um requisito obrigatório para evitar abortamentos e reabsorções embrionárias, assegurando a conversão dos protocolos em bezerrada no pasto.

Com informações de: girodoboi.canalrural.com.br.

Publicado com auxílio de inteligência artificial e revisão da Redação Canal Rural.

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