A expansão do etanol de milho no Brasil pode encontrar limite na demanda pelo combustível e exigir desaceleração do setor, segundo avaliação do consultor da Grão Direto na área de inteligência de mercado, Clayton Melo. A análise foi apresentada na terça-feira (6), durante o evento The New Agro, realizado no Cubo Itaú, em São Paulo. Para ele, a entrada de novas unidades pode levar a produção a superar o consumo.
Melo afirmou que o avanço da oferta exige atenção ao volume de combustível que chegará ao mercado. Segundo ele, esse movimento pode trazer consequências principalmente para as usinas de cana-de-açúcar, em um cenário de preços mais baixos também para o açúcar.
Os números mais recentes da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) mostram mudança na composição da produção brasileira de etanol. Na safra 2025/26, o país produziu 37,5 bilhões de litros, alta de 0,8%. Desse total, 10,17 bilhões de litros vieram do milho, avanço de 29,8%, com participação de pouco mais de 27%. Já o etanol de cana somou 27,33 bilhões de litros, queda de 6,9%.
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Melo reconheceu que novos usos podem ampliar o mercado. Projeções da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) indicam que a produção de combustível sustentável de aviação pela rota do etanol poderá consumir 900 milhões de litros em 2035 nos cenários de crescimento baixo e médio, ou 3,9 bilhões de litros no cenário alto. Para o transporte aquaviário, a previsão é de início do consumo em 2034, com 65 milhões de litros em 2035.
No mercado de combustíveis, o consumo também depende da relação de preços com a gasolina. Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) mostram que as vendas de etanol hidratado caíram 5,9% em 2025, em razão da menor competitividade. Já a produção de etanol anidro cresceu 3,1%, em movimento associado à elevação da mistura de 27% para 30% em agosto daquele ano.
Para o milho, o avanço das usinas já muda a dinâmica regional. O diretor de originação da Cofco, Gustavo Trevizoli, afirmou no mesmo painel que a indústria de etanol passou a definir os preços nas áreas próximas às plantas, reduziu o peso da exportação nessas regiões e estimulou o plantio.
Segundo Trevizoli, a demanda das usinas deve seguir entre os principais fatores de formação dos preços e das margens do milho nos próximos anos, ao lado do uso da estrutura logística nos períodos de menor movimentação da soja.
Fonte: Estadão Conteúdo