Foto: Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Nanotecnologia
A combinação entre impressão 3D, nanotecnologia e óleos essenciais pode abrir um novo caminho para o controle sustentável de pragas na agricultura. Um estudo desenvolvido por pesquisadores brasileiros do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Nanotecnologia para Agricultura Sustentável (INCT NanoAgro) criou dispositivos biodegradáveis capazes de liberar compostos naturais de forma controlada, aumentando a eficiência dos biopesticidas e reduzindo a necessidade de aplicações frequentes no campo.
A pesquisa surge em meio à busca global por alternativas mais sustentáveis aos pesticidas sintéticos, frequentemente associados à contaminação ambiental, impactos sobre a biodiversidade e riscos à saúde humana.
Os pesquisadores utilizaram hidrogéis impressos em 3D formulados com alginato de sódio, pectina e Pluronic F127. Nesses materiais, foram incorporados os compostos naturais Geraniol e Eugenol, encapsulados em nanopartículas de zeína. A técnica permitiu ampliar a estabilidade dos bioativos e controlar sua liberação ao longo do tempo.
Segundo o estudo, as nanopartículas apresentaram eficiência de encapsulamento superior a 99% e estabilidade por mais de 60 dias, além de características consideradas adequadas para aplicações agrícolas sustentáveis.
Os dispositivos também passaram por testes biológicos com a mosca-branca (Bemisia tabaci), uma das principais pragas agrícolas do mundo. Os resultados mostraram taxas de atração superiores a 50%, especialmente em estruturas produzidas com pectina.
De acordo com os pesquisadores, isso indica que a tecnologia pode funcionar não apenas como sistema de liberação lenta de compostos naturais, mas também como atrativo para direcionar insetos a armadilhas específicas, fortalecendo estratégias de Manejo Integrado de Pragas (MIP).
Na prática, a proposta busca tornar o controle mais preciso e menos dependente de pulverizações constantes, reduzindo impactos ambientais e aumentando a eficiência do manejo agrícola.
O estudo destaca ainda que a integração entre compostos naturais, nanoencapsulamento e manufatura aditiva biodegradável representa uma alternativa promissora para a agricultura sustentável. A expectativa agora é avançar para testes em condições reais de cultivo e ampliar o uso da tecnologia com novos compostos bioativos.
Segundo os pesquisadores, o objetivo é desenvolver soluções que conciliem produtividade agrícola, conservação ambiental e segurança alimentar, pilares considerados essenciais para a agricultura do futuro.