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Estudo aponta que ruído de barcos afeta comunicação sonora de peixes

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Um estudo da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) identificou que o ruído de embarcações, parapentes e banhistas interfere na comunicação sonora entre peixes em áreas turísticas do litoral de Pernambuco. Publicado nesta segunda-feira (20) na revista científica Neotropical Ichthyology, o trabalho relaciona a poluição sonora a impactos sobre alimentação, reprodução e defesa de território de espécies recifais.

A pesquisa foi realizada nas praias de Carneiros, na Área de Proteção Ambiental (APA) de Guadalupe, e de Tamandaré, na APA Costa dos Corais. Os pesquisadores monitoraram sons produzidos pela atividade humana e, ao mesmo tempo, registraram os sons emitidos pelos peixes em pontos próximos à costa e em áreas abrigadas por recifes.

O trabalho de campo teve sessões de dez horas contínuas de gravação diária, com total de 80 horas de dados acústicos. Além do monitoramento subaquático, mergulhadores fizeram censo visual para contagem de peixes e espécies. Foram registradas de 18 a 23 espécies, e em Carneiros quase 1,4 mil peixes foram localizados. Os registros ocorreram em janeiro e fevereiro de 2022 e em abril de 2023.

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O estudo identificou nove tipos de sons de peixes. Três deles deixaram de ser emitidos em locais expostos à presença de pessoas. Segundo Túlio Freire Xavier, do Laboratório de Pesquisa em Ictiologia e Ecologia de Recifes da UFPE, houve redução clara na ocorrência dos sons produzidos pelos peixes justamente nas áreas com maior presença de ruído causado pela ação humana.

De acordo com o pesquisador, muitos peixes usam sons em comportamentos ligados à reprodução, à alimentação e à defesa de território. O estudo também relacionou a poluição sonora à redução da complexidade acústica, indicador que mede a variação dos padrões sonoros ao longo do tempo.

Xavier afirmou que os peixes recifais são fundamentais para a saúde dos recifes de corais e para o equilíbrio das cadeias alimentares. Ele destacou ainda que esses ambientes sustentam atividades como o turismo e a pesca artesanal.

Os pesquisadores apontam que o conhecimento gerado pode contribuir para políticas públicas de manejo em áreas costeiras. Entre as medidas citadas por Xavier estão a organização de rotas de embarcações, a redução de velocidade em áreas sensíveis e a limitação da concentração de atividades sobre determinados recifes.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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