Os sinais de que o El Niño está se formando no oceano Pacífico Equatorial ficaram ainda mais evidentes nas últimas semanas, conforme relatório divulgado nesta quinta-feira (14) pela Administração Nacional para os Oceanos e para a Atmosfera (NOAA, na sigla em inglês).
A projeção atual do órgão norte-americano é de 82% de chance de formação do fenômeno entre maio e julho de 2026 e 96% de probabilidade que ele atue entre dezembro e fevereiro de 2027, ou seja, durante o verão do Hemisfério Sul e o inverno do Hemisfério Norte.
No final de 2025, a agência dos Estados Unidos destacava chances de 25% de El Niño de moderada a forte intensidade, percentual que, agora, atinge 37%. Contudo, de acordo com o meteorologista do Canal Rural, Arthur Müller, se as estimativas da NOAA estiverem corretas, é possível que este seja o fenômeno de maior vigor registrado na história, podendo superar os eventos de 1997/98 e 2015/16.
De forma definitiva, o relatório mostra que no começo deste mês, as temperaturas subsuperficiais da água do mar, no Pacífico Equatorial, na costa do Peru, se aqueceram mais de forma generalizada e significativamente acima da média pelo sexto mês consecutivo, o que já se configura El Niño.
Quando deve realmente começar?
Com base nas condições atuais observadas no oceano e na atmosfera, a Climatempo aponta que a tendência é de que o El Niño comece a se estabelecer entre o final deste mês de maio e o início de junho.
“Porém, os impactos mais importantes devem aparecer principalmente a partir da primavera, quando o fenômeno normalmente ganha força e influencia de forma mais direta o clima no Brasil e em outras regiões do planeta”, destaca a empresa de meteorologia.
Entre os principais impactos, destacam-se:
Possibilidade de enchentes e ondas de calor em diversas regiões do Brasil
Déficit de chuvas em áreas como Matopiba e Nordeste
Excesso de chuvas no Sul e em partes da Argentina e Uruguai
Por conta desses contratempos, Müller considera que o plantio da soja tende a melhor estabilidade climática se for realizado entre o final de outubro e início de novembro. “Já na estação seca, deve-se tomar cuidado na hora da colheita do milho segundo safra e também na implementação do próximo ciclo pelo risco para focos de incêndio”, ressalta.
Segundo o meteorologista, os modelos climáticos apontam um déficit de chuva nas áreas agrícolas do Matopiba, no Nordeste e também no Norte do país, consição que deve, novamente, baixar o níveis dos rios do Arco Norte, prejudicando a logística.
“Além disso, teremos chuva acima da média no Sul, norte da Argentina, no Uruguai e até no Paraguai, o que também pode impactar negativamente as lavouras”, conclui.