AGRICULTURA

Dois portos concentram 93% do programado para exportação

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A saída do açúcar brasileiro para o exterior está concentrada em dois corredores: Santos e Paranaguá reúnem quase 93% das 2,2 milhões de toneladas com carregamento previsto nos portos do País. O levantamento da agência marítima Williams Brasil, encerrado em 7 de outubro, mostra o peso dessas rotas para uma cadeia em que o resultado da produção depende também do custo e do prazo para entregar a mercadoria ao comprador.

Santos tem 1,568 milhão de toneladas programadas, enquanto Paranaguá responde por 477,2 mil toneladas. O restante está distribuído entre Recife, Maceió, Suape e Itajaí. A concentração exige coordenação entre usinas, transportadoras, armazéns e terminais: o açúcar precisa chegar ao porto no ritmo das operações, sem elevar desnecessariamente as despesas de armazenagem ou comprometer os prazos contratados.

O relatório reúne 62 navios, incluindo embarcações ancoradas, aquelas que aguardam atracação e outras com chegada prevista até 15 de novembro. Por isso, esse número não representa uma fila de 62 navios parados nem permite concluir que haja congestionamento nos terminais.

A programação diminuiu aproximadamente 86 mil toneladas em relação ao levantamento anterior, recuo de 3,8%. A variação também precisa ser interpretada com cuidado. Como o acompanhamento registra cargas ainda previstas, a redução isolada não demonstra perda de compradores ou queda das exportações efetivamente realizadas.

Para o fornecedor de cana, o interesse nessa movimentação está no desempenho comercial dos produtos fabricados com sua matéria-prima. O açúcar vendido ao exterior e o etanol negociado nos mercados interno e externo participam da formação das referências usadas em contratos de fornecimento.

No sistema do Conselho de Produtores de Cana-de-Açúcar, Açúcar e Etanol do Estado de São Paulo (Consecana-SP), por exemplo, o cálculo considera os preços dos derivados e sua participação na comercialização. A qualidade da cana é medida pelo Açúcar Total Recuperável (ATR), que indica a quantidade de açúcares recuperável no processo industrial. O modelo paranaense também relaciona a remuneração aos preços dos produtos finais.

Essa ligação não significa que uma redução de 3,8% na programação portuária provoque queda equivalente no pagamento da cana. O valor recebido depende das regras contratuais, da qualidade da matéria-prima e das referências comerciais aplicáveis. A agenda dos navios ajuda a acompanhar o escoamento, mas não substitui os indicadores de preço.

No biocombustível, o levantamento realizado entre 1º e 8 de outubro aponta cerca de 103 milhões de litros destinados à exportação. Santos concentra 67% do volume em toneladas, seguido pelo Rio de Janeiro e por Paranaguá. A programação inclui embarcações com chegada prevista até 11 de outubro.

Ao mesmo tempo, estão previstos desembarques de aproximadamente 38,2 milhões de litros de etanol importado. A presença de cargas nos dois sentidos, por si só, não caracteriza falta ou excesso de combustível no Brasil. Para avaliar o abastecimento, é necessário conhecer também produção, estoques, consumo, localização das entregas e características do produto.

Para o produtor de cana, a leitura mais útil combina a movimentação dos portos com os preços do açúcar e do etanol e as condições do contrato de fornecimento. Na conferência dos pagamentos, merecem atenção o ATR registrado nas entregas, o valor de referência utilizado pela usina e os adiantamentos já recebidos. São esses elementos que permitem acompanhar quanto do desempenho comercial da cadeia chega, de fato, à receita da propriedade.

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