A certificação da lã gaúcha já alcançou quase 600 mil quilos em quatro safras e vem mostrando resultados que vão além da qualidade da fibra. Dados apresentados durante o 3º Dia da Lã, realizado em Sant’Ana do Livramento (RS), indicam que propriedades participantes registraram aumento de até 65,1% na receita por ovelha em 2024.
Coordenado pela Associação Brasileira de Criadores de Ovinos (Arco), o programa certificou 120,1 mil quilos de lã na safra 2022/23, 190,6 mil em 2023/24, 139,1 mil em 2024/25 e outros 121,5 mil quilos em 2025/26.
Segundo o zootecnista Leonardo Santos Farion, da Arco, o volume ainda representa uma pequena parcela do potencial do Rio Grande do Sul, que concentra mais de 90% da lã brasileira com valor têxtil. Para ele, muitos produtores ainda deixam de agregar valor ao produto por não conhecerem características como finura da fibra, rendimento ao lavado e composição dos lotes.
“Quando o produtor conhece exatamente a qualidade da lã que produz, consegue negociar melhor e agregar valor ao mesmo rebanho”, destacou.
Certificação aumenta valor da lã
Os dados apresentados durante o evento mostram que, em 2024, as propriedades certificadas registraram alta de 52,8% no valor líquido da lã e de 65,1% na receita por ovelha em comparação com o ano anterior.
A remuneração varia conforme a micronagem — medida que indica a espessura da fibra. Durante a apresentação, foram divulgados valores de referência que vão de US$ 2,40 por quilo, para lãs de 31 micra, até US$ 10 por quilo, para fibras de 18 micra, antes dos custos de comercialização.
Mercado dá sinais de recuperação
O cenário internacional também foi debatido durante o encontro. Segundo Santiago Onande, presidente da União de Consignatários e Rematadores de Lã do Uruguai, o mercado começa a se recuperar após anos de baixa demanda provocada pela pandemia, inflação, juros elevados e conflitos internacionais.
Com estoques menores e redução dos rebanhos em países produtores, a procura pela fibra voltou a crescer em 2026.
Desafios para ampliar o programa
Apesar dos resultados, a Arco avalia que o principal desafio agora é ampliar a adesão dos produtores ao programa de certificação.
Entre as prioridades estão a qualificação de mão de obra especializada, a expansão da lã certificada nos mercados interno e externo e a atualização do Manual de Normas de Acondicionamento, elaborado em parceria com o Senar.
Durante o evento, o presidente da Arco, Edemundo Gressler, também alertou para a redução dos rebanhos de raças laneiras no estado. Segundo ele, o avanço dos cruzamentos voltados exclusivamente à produção de carne pode comprometer, no futuro, a oferta de lã de qualidade produzida no Rio Grande do Sul.