
O pesquisador sênior da Brookings Institution Robin Brooks afirmou neste domingo (12) que os Estados Unidos deveriam restabelecer o bloqueio às exportações de petróleo do Irã. Segundo ele, a suspensão da medida fortaleceu financeiramente Teerã em um momento de novos ataques a embarcações no Estreito de Ormuz e de dificuldades nas negociações por um acordo de paz.
Em relatório publicado neste domingo (12), Brooks disse que o quadro atual reproduz a situação observada antes da imposição do bloqueio, quando o Irã restringia a passagem de petroleiros ocidentais enquanto seus próprios navios continuavam exportando petróleo. Na avaliação do economista, essa estratégia cria incentivo para que o governo iraniano não negocie “de boa-fé”.
Brooks estima que, desde a suspensão do bloqueio, o Irã exportou entre 70 milhões e 80 milhões de barris de petróleo. Segundo ele, esses recursos ajudaram a sustentar operações do país e a ampliar sua capacidade de pressionar a navegação na região.
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O ex-economista-chefe do Instituto de Finanças Internacionais (IIF) afirmou ainda que o bloqueio produz efeitos cumulativos sobre a infraestrutura petrolífera iraniana e, por isso, deveria ser retomado rapidamente. Ele também sugeriu endurecer as restrições ao setor petrolífero do país, com medidas para impedir o uso de petroleiros como armazenamento flutuante e ampliar a pressão sobre a infraestrutura de exportação.
No mercado, Brooks avaliou que o Brent, negociado entre US$ 75 e US$ 76 por barril, segue abaixo do intervalo de US$ 80 a US$ 90 que, segundo ele, seria compatível com o risco geopolítico atual.
No cenário macroeconômico, o economista reiterou que o mercado superestima a possibilidade de novas altas de juros pelo Federal Reserve (Fed) neste ano. Ele disse esperar desaceleração da inflação ao consumidor nos Estados Unidos e manteve a avaliação de que, sem novas elevações de juros, o dólar tende a perder força nos próximos meses.
A avaliação apresentada por Brooks reúne dois pontos centrais: a defesa da retomada do bloqueio às exportações de petróleo do Irã e a leitura de que o mercado ainda precifica o Brent abaixo do risco geopolítico, ao mesmo tempo em que exagera a chance de alta de juros nos Estados Unidos em 2026.
Fonte: Estadão Conteúdo
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