O mercado físico do boi gordo voltou a trabalhar com um cenário de pressão nas cotações da arroba ao longo da semana, mas o cenário deve mudar ao longo do último trimestre do ano.
De acordo com o analista de Safras & Mercado Fernando Iglesias, os frigoríficos reduziram o ritmo de compra de gado, buscando reorganizar a programação de abates com a expectativa de esgotamento precoce das cotas brasileiras de exportação para a China.
Iglesias sinaliza que até o final de julho a cota de 1,106 milhão de toneladas destinada ao Brasil sem acréscimo de tarifas adicionais de 55% pela China deverá estar totalmente preenchida.
“Por conta disso, há uma tendência de redução nos abates, o que pode levar os frigoríficos a adotar férias coletivas neste período de maior incerteza quanto ao fluxo de exportação”, avalia.
O analista ressalta que a salvaguarda chinesa vem provocando instabilidade e muita volatilidade no mercado pecuário brasileiro.
“Diante de preços pouco atrativos no mercado futuro, a intenção de confinamento passa a apresentar recuos, com relatos de menor ocupação Brasil afora, com um potencial de crescimento menor que o previsto inicialmente, embora ainda maior que o registrado em 2025”, comenta.
Alta de preços no último trimestre
Os preços da arroba do boi gordo devem ter uma alta consistente no último trimestre do ano. Segundo Iglesias, a volta da demanda chinesa focada na cota de exportação do Brasil em 2027, a forte procura esperada pelos Estados Unidos e o período auge de demanda no mercado interno tendem a dar sustentação ao mercado.
“Com um menor incentivo ao confinamento nesse período para alimentar a crescente oferta e com o alongamento do período de seca no Brasil por conta do El Niño, pode haver uma baixa disponibilidade de animais terminados a pasto. Com a menor oferta, tende a haver uma elevação bem consistente nos preços da arroba”, conclui.
Já o coordenador da equipe de inteligência de mercado da Scot Consultoria, Felipe Fabbri, acredita que a arroba deve superar a máxima do ano até aqui, de R$ 360. “Há uma soma de fatores que nos levam a crer neste comportamento, como a menor participação de fêmeas em relação aos machos, o que puxa o preço do boi intraanualmente.”
Além disso, o especialista ressalta que a partir de setembro, a tendência é a de que a movimentação para o período eleitoral no Brasil intensifique a circulação de renda no país, além da geração de empregos temporários típicos do fim do ano e a diminuição de encargos, somada às bonificações e festas de fim de ano.
“Do lado exportador, o setor já programa os abates e produção de carne para enviar à China e Estados Unidos fora das tarifas adicionais que os dois países impões após a cota de volume superada. Outro destaque é a estação de monta no Brasil, que estimula a retenção de matrizes e, com isso, os preços atuais da reposição devem puxar uma aceleração do quadro para o fim do ano”, destaca Fabbri.
Variação de preços na semana
Os valores do boi gordo, na modalidade a prazo, estavam assim no dia 25 de junho:
São Paulo (Capital): R$ 340, baixa de 2,86% frente aos R$ 350 registrados no final da semana passada
Goiás (Goiânia): R$ 320, recuo de 1,54% ante os R$ 325 do final da semana anterior
Minas Gerais (Uberaba): R$ 320, retração de 1,54% em comparação aos R$ 325 do período anterior
Mato Grosso do Sul (Dourados): R$ 335, queda de 2,90% ante os R$ 345 registrados no encerramento da última semana
Mato Grosso (Cuiabá): R$ 345, decréscimo de 1,43% perante os R$ 350 praticados no fechamento da semana anterior
Rondônia (Vilhena): R$ 328, declínio de 2,09% em relação aos R$ 335 registrados no encerramento da semana anterior
Mercado atacadista
Iglesias, de Safras & Mercado, destaca que o mercado atacadista apresentou cotações mais baixas durante a semana. “O ambiente de negócios ainda sugere um mercado enfraquecido mesmo em plena Copa do Mundo, considerando uma segunda quinzena de fraca reposição entre atacado e varejo.”
Segundo ele, na primeira quinzena de julho aumenta a propensão a reajustes, com a entrada dos salários na economia. “No entanto, a carne bovina segue pouco competitiva na comparação com as proteínas concorrentes, em especial em relação à carne de frango.”
Exportações de carne bovina
Foto: Divulgação Iagro
As exportações de carne bovina fresca, congelada ou refrigerada do Brasil renderam US$ 1,220 bilhão em junho até o momento (14 dias úteis), com média diária de US$ 87,208 milhões, conforme dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).
A quantidade total exportada pelo país chegou a 187,080 mil toneladas, com média diária de 13,362 mil toneladas. O preço médio da tonelada ficou em US$ 6.526,2.
Em relação a junho de 2025, houve alta de 32,8% no valor médio diário da exportação, ganho de 10,9% na quantidade média diária exportada e avanço de 19,8% no preço médio.