Estudantes e residentes da área da saúde terão a oportunidade de participar de vivências em políticas públicas voltadas à equidade racial, ao enfrentamento ao racismo e à promoção da saúde da população negra. O edital do VER-SUS Confluências – Igualdade Racial foi lançado nesta terça-feira (3) pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, ao lado de representantes do Ministério da Igualdade Racial (MIR) e da Rede Unida. A iniciativa é uma edição temática do projeto Vivências e Estágios na Realidade do Sistema Único de Saúde (VER-SUS) e integra as ações do Governo Federal para o Novembro Negro.
“O envolvimento do Ministério da Saúde e de todo o SUS com o Novembro Negro é exatamente para reforçar um conjunto de políticas, algumas retomadas, outras criadas no governo do presidente Lula, que busca enfrentar as maiores desigualdades que nós temos no nosso país”, afirmou o ministro Alexandre Padilha. Ele também destacou a importância de a rede pública de saúde acolher o sofrimento mental sem vieses de cor ou classe, incorporando a equidade como diretriz permanente do cuidado.
A chamada pública especial integra o VER-SUS Confluências – Igualdade Racial, edição temática do projeto Vivências e Estágios na Realidade do Sistema Único de Saúde (VER-SUS), articulada ao Programa Nacional de Vivências no SUS. Pela primeira vez, o projeto promove uma imersão que tem a igualdade racial como eixo central, aproximando as políticas de saúde das ações de promoção da igualdade racial.
Durante as atividades, os participantes conhecerão como o racismo influencia as condições de vida, os processos de adoecimento, a saúde mental e o acesso aos serviços de saúde. Também terão contato com experiências territoriais de cuidado e iniciativas de enfrentamento às desigualdades raciais.
O projeto é resultado da integração entre o Sistema Único de Saúde (SUS) e o Sistema Nacional de Promoção da Igualdade Racial (SINAPIR). Nesse contexto, as Casas da Igualdade Racial serão utilizadas como ambientes de aprendizagem e espaços de integração entre ensino, serviço e comunidade. Atualmente, seis cidades brasileiras contam com essas estruturas permanentes, voltadas ao enfrentamento ao racismo, à promoção de direitos e ao fortalecimento da população negra: Rio de Janeiro (RJ), Fortaleza (CE), Pelotas (RS), Salvador (BA), Itabira (MG) e Contagem (MG).
A programação prevê a participação total de 252 pessoas, sendo 180 estudantes e residentes selecionados como viventes, 18 facilitadores e 54 profissionais nas equipes locais de articulação em cada município. Cada etapa terá a duração de cinco dias de imersão prática e ocorrerá em duas fases consecutivas: de 30 de novembro a 4 de dezembro, nas cidades do Rio de Janeiro e Pelotas, seguida pela mobilização em Fortaleza, Salvador, Itabira e Contagem, programada para o período de 7 a 11 de dezembro.
O que é o VER-SUS
O VER-SUS é um projeto de formação voltado a estudantes e residentes da área da saúde, que integra o Programa Nacional de Vivências no SUS, com metodologia baseada na educação popular, participação social e aproximação entre ensino, serviço e comunidade. A proposta é formar profissionais mais preparados para compreender as diferentes realidades da população brasileira e os desafios do SUS.
A iniciativa parte de uma visão ampliada do conceito de saúde, estabelecendo a articulação entre Educação Permanente, Quadrilátero da Formação, Aprendizagem Significativa, Interdisciplinaridade, Redes de Atenção à Saúde, entre outras temáticas cruciais no contexto do SUS. Além de impactar a formação profissional, a ação busca qualificar os processos organizativos de trabalho desenvolvidos nos serviços de saúde.
Para o secretário adjunto de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde do Ministério da Saúde, Jerzey Timóteo, o VER-SUS Confluências contribui para formar profissionais mais preparados para enfrentar o racismo no âmbito da saúde. “Não é possível construir um SUS verdadeiramente universal e equânime sem discutir o racismo e seus impactos na saúde da população negra. Formar profissionais com esse olhar é fortalecer o cuidado, combater desigualdades e avançar na construção de um SUS antirracista”, destacou.
Como funcionarão as vivências
Os participantes terão contato com o cotidiano dos serviços do SUS e das Casas da Igualdade Racial, por meio de atividades como visitas territoriais, rodas de conversa com trabalhadores e movimentos sociais, debates, oficinas e práticas de educação popular. Essas vivências aproximam a teoria da realidade cotidiana, permitindo identificar barreiras de acesso e fortalecer o cuidado intercultural na saúde pública.
Entre os temas previstos estão racismo institucional, saúde mental da população negra, barreiras de acesso aos serviços, atenção primária, cuidado culturalmente sensível e integração entre as políticas públicas. A intenção é que os estudantes conheçam essas realidades diretamente nos locais onde elas acontecem e possam levar os aprendizados para sua futura atuação profissional.
Parceria Estratégica para Saúde Mental
Ainda durante o evento as pastas firmaram um Acordo de Cooperação Técnica para articular políticas e desenvolver ações de atenção psicossocial antirracista no âmbito SUS e do Programa Mais Igualdade. A iniciativa tem como foco principal integrar a saúde mental e a promoção da igualdade racial, visando ao enfrentamento do racismo como um fator determinante na saúde da população negra.
Victor Almeida
Ministério da Saúde