O movimento Vozes da Pecuária reúne produtores de diferentes regiões do Brasil para organizar as demandas do setor e ampliar a participação dos pecuaristas nas discussões sobre políticas públicas, legislação e mercado.
A iniciativa foi tema do Radar Rural desta semana, que recebeu os pecuaristas Thomas Rocco, embaixador do território Alta Noroeste Paulista, e Raul Moraes Neto, integrante do comitê gestor do movimento.
Criado em 2025, o grupo surgiu a partir de articulações entre produtores rurais. Segundo os representantes, a proposta é reunir demandas comuns, que muitas vezes não chegam aos responsáveis pelas decisões, e encaminhá-las de forma organizada às instituições e ao poder público.
“Existiam diversos pecuaristas com o mesmo problema, mas sozinhos eles não eram escutados”, afirmou Moraes Neto durante o programa. Assista aqui:
Movimento atua em diferentes regiões do país
A organização é dividida por territórios para considerar as particularidades da pecuária brasileira. As diferenças de clima, infraestrutura, ambiente e manejo exigem soluções adaptadas à realidade de cada região, segundo os participantes.
Em 2026, o movimento avançou na elaboração de diagnósticos territoriais, com levantamento de pontos fortes, dificuldades e oportunidades de melhoria. A intenção é utilizar essas informações para orientar propostas e aproximar produtores, governo e mercado.
De acordo com Moraes Neto, o Vozes da Pecuária está presente em oito estados, distribuídos pelos quatro principais biomas associados à atividade. A abrangência corresponde a cerca de 70% dos abates brasileiros e 64% do rebanho nacional, segundo os dados apresentados no programa.
Além da articulação institucional, o movimento busca aproximar a sociedade urbana da realidade das propriedades rurais. Para os representantes, a comunicação direta dos pecuaristas é importante para apresentar como a atividade funciona e ampliar o conhecimento sobre as práticas adotadas no campo.
Entre os próximos passos, está o encaminhamento dos relatórios produzidos nos territórios ao governo, com o objetivo de contribuir para a formulação de políticas públicas. O movimento também pretende ampliar o diálogo com o mercado para atrair investimentos à pecuária.
Durante o episódio, Moraes Neto destacou o potencial da produção brasileira em sistemas a pasto, considerando as condições climáticas do país e as possibilidades de melhoria das pastagens. Segundo ele, o avanço da atividade depende também de condições que vão além da atuação individual do produtor.