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Brasil sedia reunião de cooperação para eliminar a malária no Escudo das Guianas

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Representantes de seis países e territórios reafirmam o compromisso político de fortalecer a cooperação regional para eliminar a malária no Escudo das Guianas: Brasil, Colômbia, Guiana, Suriname, Venezuela e França (Departamento Ultramarino da Guiana Francesa). A Reunião Ministerial de Alto Nível para a Eliminação da Malária foi realizada na terça-feira (3) pelo Ministério da Saúde (MS), na capital federal. Agendas semelhantes serão promovidas até a próxima sexta-feira (6), data em que é celebrado o Dia da Malária nas Américas, instituído pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS/OMS) para conscientizar e mobilizar esforços contra a doença infecciosa.

Entre os objetivos do encontro estiveram compartilhar experiências e prioridades nacionais, discutir desafios epidemiológicos comuns, fortalecer a cooperação transfronteiriça, além de formalizar a Carta de Compromisso para a Eliminação da Malária no Escudo das Guianas e avançar na definição de mecanismos conjuntos de coordenação, implementação e acompanhamento das ações, alinhados ao Plano de Ação para a Eliminação da Malária nas Américas 2026-2030.

O entendimento central é que a doença exige uma resposta coordenada entre os países, considerando que a transmissão ultrapassa fronteiras nacionais, em razão da intensa mobilidade populacional, dos ecossistemas compartilhados e das atividades econômicas em áreas de difícil acesso. A programação abrangeu a situação epidemiológica no Escudo das Guianas e abordou novas estratégias de combate ao Plasmodium vivax, como a tafenoquina, o tratamento guiado por sorologia e esquemas inovadores com primaquina.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, enfatizou em seu discurso que os países participantes compartilham a convicção de que é possível eliminar a malária. “Isso exige compromisso político, investimento contínuo, cooperação entre nossos países e ação determinada da alta direção de cada um deles”, afirmou.

Para ele, é necessário fortalecer a vigilância epidemiológica, compartilhar informações, combater a resistência a medicamentos, investir em novas tecnologias e ampliar o acesso ao diagnóstico e ao tratamento, coordenando respostas de maneira ágil e efetiva. “A eliminação da malária também é um compromisso com a equidade. Não basta dispor de medicamentos, protocolos e conhecimento científico. Precisamos garantir que esses recursos cheguem a quem mais precisa, com prioridade para as populações que enfrentam maior dificuldade de acesso”, declarou Padilha.

Declaração de Brasília sobre a Eliminação da Malária no Escudo das Guianas

A articulação internacional e o compromisso conjunto dos países com o fortalecimento das ações de vigilância, diagnóstico, tratamento e prevenção da malária são medidas para eliminar a doença. A Declaração de Brasília estabelece eixos estratégicos que envolvem diagnóstico e tratamento, cujo foco é ampliar o acesso oportuno e universal aos serviços, especialmente em regiões remotas e fronteiriças; vigilância epidemiológica, para fortalecer a vigilância transfronteiriça, a detecção precoce e o intercâmbio de informações entre os países; ciência e inovação, para incentivar pesquisas, novas tecnologias, diagnóstico rápido, saúde digital e estratégias terapêuticas; enfrentamento da resistência, com foco na intensificação do monitoramento da eficácia dos antimaláricos, especialmente diante da resistência de Plasmodium falciparum; além de cooperação e sustentabilidade, para desenvolver um plano de trabalho conjunto, fortalecer o financiamento e manter o diálogo político entre os países.

Na carta, as nações envolvidas reconhecem que determinadas populações enfrentam dificuldades específicas de acesso aos serviços de saúde e consideram as características territoriais e sociais das mais vulneráveis à transmissão da doença. Entre elas destacam-se povos indígenas, migrantes e populações em deslocamento, trabalhadores e comunidades de áreas de mineração de ouro, pessoas que vivem ou trabalham em regiões florestais, remotas e de fronteira. A declaração aponta para a necessidade de estratégias diferenciadas para garantir diagnóstico, tratamento e continuidade do cuidado nesses territórios.

Dados recentes e avanços na redução de casos no Brasil

Em 2025, o Brasil registrou 118.037 casos autóctones de malária, o menor número em 47 anos, com redução de 14,8% em relação a 2024. As infecções por P. falciparum e as mistas caíram 30,7%, e os óbitos passaram de 56 para 39 (queda de 30,4%). Os dados parciais de 2026 reforçam a tendência: de janeiro a agosto, foram 66.952 casos, 12,5% a menos que no mesmo período de 2025.

Entre os fatores que contribuem para esse resultado, estão a ampliação do diagnóstico, com crescimento de 114,8% na aquisição de testes rápidos entre 2023 e 2025 e mais de 1,15 milhão de unidades já adquiridas em 2026, e a inovação terapêutica. Destacam-se, também, a tafenoquina associada à testagem quantitativa de G6PD (deficiência de glicose-6-fosfato desidrogenase), em dose única, que já tratou mais de 40 mil pessoas, incluindo mais de 3 mil crianças e adolescentes, e o fortalecimento da produção nacional do ASMQ (artesunato associado à mefloquina).

Os territórios prioritários seguem como desafio. As áreas indígenas registraram 51.295 casos em 2025 (redução de 15%), com óbitos indígenas que caíram de 46, em 2023, para cinco, em 2025. Nas áreas de garimpo, a queda foi de 38,7% entre 2023 e 2025. No entanto, a mobilidade populacional e as atividades ilegais exigem atuação intersetorial.

Reunião ministerial

A reunião teve participação de autoridades ministeriais, representantes governamentais, organismos internacionais e delegações técnicas. Pelo Brasil, estiveram presentes, além do ministro Padilha, o secretário de Vigilância em Saúde e Ambiente, Fabiano Pimenta; e a embaixadora Maria Luiza Ribeiro, diretora-adjunta da Agência Brasileira de Cooperação. Pelos demais países, estiveram presentes o ministro da Saúde, Bem-Estar e Trabalho do Suriname, André Theodorus Misiekaba; o representante do Ministério da Saúde e Proteção Social da Colômbia, Iván Mauricio Cárdenas Cañón; a diretora de Serviços de Controle Vetorial do Ministério da Saúde da Guiana, Reza Niles-Robin; o ministro-conselheiro da Embaixada da França no Brasil, Brice Fodda, representando a Guiana Francesa; e o representante do gabinete do ministro da Saúde e Desenvolvimento Social da Venezuela, Francisco Alejandro Pérez.

Pelos organismos internacionais e regionais, integraram o encontro o representante da OPAS/OMS no Brasil, Cristian Morales; a diretora administrativa da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA), Edith Paredes; e dois representantes da sede da OPAS/OMS em Washington. Também acompanharam a reunião integrantes das demais delegações, representantes do Ministério da Saúde do Brasil, equipes técnicas e assessorias institucionais envolvidas na agenda de eliminação da malária.

Um painel de governança discutirá a verificação subnacional da eliminação e a atuação conjunta das três esferas de gestão do Sistema Único de Saúde (SUS). No encerramento das programações sobre o tema, na sexta-feira (6), serão apresentados os compromissos políticos e um consenso regional para a eliminação da malária no período 2026-2030.

A doença

A malária é uma doença infecciosa causada por parasitas do gênero Plasmodium e transmitida aos humanos pela picada de fêmeas infectadas do mosquito Anopheles, conhecido como mosquito-prego. Não é contagiosa, ou seja, uma pessoa doente não a transmite diretamente a outra. Conhecida também como paludismo, febre palustre, maleita e sezão, a doença pode atingir qualquer pessoa.

Indivíduos submetidos à exposição repetida ao Plasmodium podem desenvolver imunidade parcial adquirida, caracterizada pela redução da gravidade das manifestações clínicas e, em alguns casos, pela ocorrência de infecções assintomáticas. Entretanto, essa imunidade não é esterilizante, ou seja, não impede completamente novas infecções, podendo diminuir na ausência de exposição contínua ao parasito. Sem tratamento adequado, o indivíduo pode ser fonte de infecção por meses ou anos, conforme a espécie do parasito.

No Brasil, a maior parte dos casos se concentra na região amazônica (Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins), mas a doença não deve ser negligenciada nas demais regiões, onde há poucas notificações, mas a letalidade é maior.

Suellen Siqueira
Ministério da Saúde

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