As taxas dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) fecharam em alta nesta terça-feira (3), em meio à espera por sinalizações sobre a política econômica a partir de 2027. O movimento ocorreu na volta do feriado de Dia dos Finados e refletiu a piora na percepção de risco fiscal, além de discussões sobre propostas para a condução dos juros no país.
No fim dos negócios, o DI para janeiro de 2028 subiu de 14,483%, no ajuste de sexta-feira, para 14,565%. O contrato para janeiro de 2029 avançou de 14,962% para 15,070%, enquanto o DI para janeiro de 2031 passou de 15,272% para 15,370%.
Ao longo da sessão, a alta perdeu intensidade, mas a curva a termo seguiu inclinada. Nas máximas do dia, registradas no fim da manhã, o vértice de janeiro de 2031 chegou a avançar quase 40 pontos.
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Entre os fatores que ajudaram a reduzir parte da pressão estiveram a confirmação de que o líder do MDB no Senado, Eduardo Braga (AM), será o relator do Orçamento de 2027, com avaliação de que isso pode resultar em uma alíquota menor da CBS, e declarações do presidente do PSD, Gilberto Kassab, defendendo a nomeação de um ministro da Fazenda comprometido com o equilíbrio fiscal.
Ainda assim, o mercado manteve a leitura de aumento do risco fiscal. Também repercutiram notícias sobre um possível encontro do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com o economista André Lara Resende, que tem defendido metas para a Selic. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, negou que haja reunião marcada e afirmou que a proposta é incipiente.
O boletim Focus também mostrou deterioração das expectativas entre 2026 e 2029. A mediana para o IPCA deste ano subiu de 5,19% para 5,22%, enquanto a projeção para o próximo ano avançou de 4,34% para 4,76%. Para a Selic terminal, a expectativa passou de 13,25% para 13,50% em 2026 e de 11,75% para 12,50% em 2027.
Em revisão divulgada nesta terça-feira (3), o economista do Santander Marco Antonio Caruso retirou a previsão de corte de 25 pontos-base na reunião desta quarta-feira (4) do Comitê de Política Monetária (Copom) e passou a projetar manutenção da Selic em 13,75%.
O pregão terminou com alta das taxas futuras, curva inclinada e revisão para cima das projeções de inflação e juros, em um ambiente marcado por incertezas sobre a condução da política econômica e do ajuste fiscal a partir de 2027.
Fonte: Estadão Conteúdo