O valor médio da tonelada de fertilizante importado pelo Brasil caiu 6,1% em setembro na comparação com agosto, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). Convertida para reais pela mesma taxa de referência do Banco Central, a média passou de aproximadamente R$ 2.041 para R$ 1.916, diferença de R$ 125 por tonelada.
O recuo representa um alívio na referência de importação, mas sua chegada ao orçamento da fazenda depende dos estoques dos fornecedores, do frete e das condições de pagamento. O indicador reúne diferentes fertilizantes e não corresponde à cotação individual da ureia, dos fosfatados ou do cloreto de potássio.
Apesar da queda mensal, o valor médio permaneceu 5,3% acima do registrado em setembro de 2025. No mês, o Brasil importou 3,1 milhões de toneladas de adubos e fertilizantes químicos, volume 27,9% inferior ao de um ano antes.
A comparação exige considerar também a composição das compras. Uma participação maior de produtos mais baratos reduz a média, mesmo sem queda generalizada nas cotações. O resultado de setembro, portanto, indica redução no valor médio das mercadorias importadas, mas não assegura desconto equivalente em todas as fontes de nutrientes.
Alívio precisa aparecer na proposta do fornecedor
Os registros utilizados pelo MDIC consideram o valor da mercadoria na origem, sem frete internacional e seguro. Até chegar à propriedade, a conta incorpora transporte marítimo, despesas portuárias, tributos aplicáveis, distribuição e frete rodoviário.
Estoques adquiridos anteriormente também influenciam as ofertas. Uma revenda que comprou em condições mais caras pode apresentar preços diferentes dos praticados por outra que está recebendo novas cargas. Por isso, a negociação precisa partir de propostas atualizadas para entrega no mesmo local e na mesma data.
A redução das importações, por sua vez, não comprova falta de produto. A avaliação do abastecimento depende também dos estoques disponíveis, da produção nacional, das entregas aos agricultores e da programação das próximas cargas.
Preço por tonelada não resolve sozinho a compra
Para aproveitar uma condição favorável, o produtor deve comparar fertilizantes com a mesma especificação e concentração. Produtos com preços diferentes por tonelada podem apresentar custos semelhantes por quantidade de nutriente fornecido.
A escolha precisa seguir a análise de solo e a recomendação agronômica. Trocar uma fonte apenas porque está mais barata pode exigir maior volume de aplicação, aumentando o transporte e o trabalho das máquinas. As características do produto e sua adequação à lavoura também interferem no resultado.
Nas compras a prazo, juros e encargos devem entrar na comparação com o pagamento à vista. O desconto anunciado perde vantagem se vier acompanhado de financiamento mais caro ou de despesas adicionais de entrega.
A antecipação para ciclos futuros exige outro cuidado: além do preço, é necessário avaliar armazenamento, necessidade de capital e segurança do fornecimento. Uma oportunidade comercial só melhora a conta quando o produto atende ao planejamento da propriedade.
Para fechar o negócio, a referência mais útil é o custo total entregue na fazenda e a relação de troca — quantas sacas serão necessárias para pagar o fertilizante. Solicitar propostas equivalentes e conferir produto, frete, prazo e encargos permite verificar se o alívio observado nas importações está, de fato, reduzindo o custo da próxima safra.