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Agro registra R$ 98 bilhões em novas CPRs no primeiro trimestre da safra

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O agronegócio registrou R$ 98 bilhões em novas Cédulas de Produto Rural (CPR) entre julho e setembro, os três primeiros meses da safra 2026/27. Usados para antecipar recursos e negociar insumos com pagamento futuro, esses títulos chegaram a R$ 597 bilhões em contratos ainda em aberto, segundo dados divulgados nesta quarta-feira (14) pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).

A CPR permite ao produtor obter dinheiro ou insumos antes de receber pela colheita. Em troca, ele assume um compromisso que pode ser cumprido com a entrega de uma quantidade de produto ou com pagamento em dinheiro, conforme o contrato. A ferramenta pode envolver bancos, cooperativas, fornecedores e empresas compradoras.

O saldo de R$ 597 bilhões reúne títulos da safra atual e de períodos anteriores que continuam vigentes. Já os R$ 98 bilhões em novas emissões representam o movimento registrado no início desta temporada. Em setembro, havia 333 mil CPRs, com valor médio de R$ 1,79 milhão por título.

Na comparação com agosto, o saldo total recuou R$ 3,3 bilhões, ou cerca de 0,5%, passando de R$ 600,3 bilhões para R$ 597 bilhões. O estoque muda conforme novas cédulas são registradas e operações antigas são encerradas. A redução, isoladamente, não permite concluir que houve menor procura por financiamento.

Outro canal de recursos para o campo são as Letras de Crédito do Agronegócio (LCA), aplicações oferecidas pelos bancos a investidores. O saldo desses papéis alcançou R$ 563 bilhões em setembro. Parte do dinheiro captado precisa voltar ao financiamento da atividade agropecuária.

Segundo o Mapa, o direcionamento mínimo de 60% corresponde a aproximadamente R$ 338 bilhões. Dentro dessa parcela, pelo menos 45%, cerca de R$ 152 bilhões, devem atender às operações de crédito rural previstas nas regras do Banco Central. Esses percentuais se aplicam às LCAs, e não ao estoque de CPRs.

O boletim também registrou R$ 175 bilhões em Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) e R$ 30 bilhões em Certificados de Direitos Creditórios do Agronegócio (CDCA). São instrumentos que permitem captar recursos com base em pagamentos a receber de negócios da cadeia agropecuária. Já os Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas do Agronegócio (Fiagro) somaram patrimônio de R$ 73 bilhões, distribuído entre 301 fundos.

Esses valores mostram diferentes caminhos percorridos pelo dinheiro até o setor. Não devem ser somados como se fossem financiamentos independentes: uma CPR pode servir de base para outra operação. A soma, nesse caso, contaria mais de uma vez um mesmo compromisso financeiro, conforme alerta o próprio Mapa em seus boletins.

Para o produtor, a diversidade de instrumentos oferece alternativas para organizar o custeio e a compra de insumos. A escolha depende do custo total, do prazo, das garantias e da forma de pagamento. Nas operações com entrega de produto, a quantidade comprometida precisa caber na produção esperada; nas financeiras, o vencimento deve ser compatível com a entrada de receita.

A comparação entre propostas exige olhar além do valor liberado. Despesas de registro, encargos, condições de entrega e critérios de cálculo do pagamento podem alterar a conta. Antecipar recursos ajuda a viabilizar o plantio, mas também compromete parte da receita futura da propriedade.

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