AGRICULTURA

Jovem faz sucesso nas redes sociais ao compartilhar rotina como pecuarista e mãe

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Aos 24 anos, Maísa Rossoni acumula experiências e responsabilidades na vida acima da média para uma jovem na faixa da sua idade . Moradora de Vila Rica, no interior de Mato Grosso, a jovem cresceu em uma propriedade rural, começou a investir por conta própria na pecuária aos 20 anos e, atualmente, divide com os pais a rotina de uma fazenda com cerca de mil cabeças de gado. Essa rotina é compartilhada com quase 200 mil seguidores via Instagram diariamente.

Além de exercer o papel de pecuarista, Maísa tem outra importante função: a maternidade. Ela é mãe de uma menina de 2 anos e conta com a ajuda dos pais para conciliar a criação da filha com o trabalho na propriedade.

“Quando eu saio para fazer algum serviço, minha mãe fica por conta dela. Quando minha mãe tem que ir fazer o serviço, eu fico. A gente vai revezando aqui. Meu pai também ajuda bastante”, conta.

E há dias em que maternidade e pecuária literalmente seguem juntas. “Quando precisa, eu levo ela junto. Para colocar o trato para o gado, ela vai junto no trator. A gente vai se virando.”

Foto: Arquivo pessoal

A relação de Maísa com a vida rural começou ainda na infância. Ela nasceu em uma família que morava em Paraíso do Tocantins, onde o pai trabalhava com um mercado. A mudança para Mato Grosso ocorreu quando ela tinha 5 anos.

A mãe tinha familiares em Vila Rica e, depois da venda do comércio no Tocantins, a família decidiu se mudar. Inicialmente, viveram na cidade até surgir a oportunidade de ir para a propriedade onde Marina mora até hoje.

O pai não tinha experiência com a atividade rural quando chegou à região e aprendeu o trabalho depois da mudança. Pelo lado materno, no entanto, já havia ligação com o setor: o avô de Maísa tinha propriedade rural e trabalhava com leite.

Foi nesse ambiente que ela cresceu e aprendeu a rotina que hoje compartilha com milhares de pessoas.

Ao contrário do irmão, que deixou a propriedade para estudar no Tocantins, Maísa nunca teve como objetivo construir uma vida longe do campo. Em determinado momento, chegou a considerar cursar Medicina Veterinária, mas até essa possibilidade estava relacionada à fazenda.

“Sempre foi com aquele foco nos animais, para trazer melhorias aqui para a fazenda mesmo. Nunca pensei em mudar de ramo ou sair da fazenda.”

Entre as razões para permanecer está justamente o estilo de vida encontrado no interior.

“Eu prezo muito a tranquilidade do campo, a qualidade de vida que a gente tem aqui. A gente trabalha bastante, porque tem muito serviço para fazer na fazenda, mas é uma vida em que a gente tem mais tranquilidade.”

Jovem pecuarista

Embora tenha crescido acompanhando a atividade dos pais, Maísa considera os 20 anos como o início de sua própria trajetória como pecuarista. Foi nessa idade que comprou as primeiras matrizes.

Hoje, a rotina familiar envolve aproximadamente mil animais e diferentes atividades. Marina ajuda o pai no trabalho com o gado e no semiconfinamento, participa do preparo do trato e da produção de silagem, além de criar pintinhos para venda, comercializar ovos e ajudar na venda de leite na cidade. “Eu ajudo em tudo um pouco”, resume.

Mas, quando precisa apontar a atividade que ocupa a maior parte de seu tempo, não há dúvida: “É mais a lida aqui, com gado, na pecuária mesmo”.

Com 1,54 metro de altura e atuando em uma atividade ainda fortemente associada ao universo masculino, Maísa conta que não é raro encontrar pessoas surpresas ao descobrir que ela trabalha diariamente com gado.

“Rola muito aquela dúvida. Me veem pequenininha, delicadinha e falam: ‘Você trabalha com isso? Nem parece’.”

Ela diz encarar as reações com bom humor. “Eu levo bem na esportiva. Falo: ‘Tamanho não é documento’.”

O trabalho na propriedade é feito basicamente por Maísa e pelos pais. Os três se dividem para cuidar dos animais e das demais atividades da fazenda.

Foto: Arquivo pessoal

Rotina no campo viralizou nas redes

A exposição da vida rural começou de maneira despretensiosa. Marina publica conteúdos nas redes sociais há cerca de cinco anos, mas foi mais recentemente que passou a direcionar o perfil principalmente para a pecuária.

Um dos primeiros vídeos a viralizar o trabalho dela com o gado no curral. A publicação atingiu quase 1 milhão de seguidores, segundo Maísa. “Foi onde eu comecei a ganhar mais seguidores.”

Maísa percebeu que a simplicidade da rotina tinha apelo inclusive para quem já não vive mais no meio rural. “Recebo muitas mensagens de pessoas que moravam na roça e tiveram que sair para a cidade. Elas acompanham os meus vídeos justamente para ter essas lembranças de como é morar na roça.”

Foto: Arquivo pessoal

Outro público começou a aparecer depois que ela publicou sua trajetória na pecuária: pessoas interessadas em ingressar na atividade.

“Comecei a ganhar bastante seguidores que querem começar na pecuária, mas não sabem como. Eles pedem muita dica de como começar, de como fazer o investimento certo.”

A visibilidade abriu novas possibilidades profissionais. Maísa passou a fechar trabalhos publicitários e parcerias com empresas, principalmente relacionadas ao universo agro, mas também com marcas de roupas, produtos domésticos e outros segmentos.

Ela, porém, faz questão de separar a atividade digital da principal fonte de sustento. “Em questão de monetização, o Instagram não paga para a gente. Então não é uma coisa com que podemos contar como renda. A gente fecha parcerias com marcas, mas o meu foco de renda principal é aqui na fazenda.”

A experiência de sair do ambiente virtual e perceber o alcance dos vídeos aconteceu de forma mais intensa durante a Festa de Peão de Barretos, em agosto. Acostumada a viver em uma cidade pequena e viajar pouco, Maísa foi abordada por seguidores que reconheceram seu trabalho.

“Teve bastante gente que chegou em mim e falou: ‘Eu te acompanho na rede social, gosto muito do seu conteúdo, você passa a verdade’. Uma pessoa falou: ‘Você pessoalmente é a mesma coisa que na rede social’. O que eu passo no meu perfil sou eu pessoalmente.”

Maternidade

Foto: Arquivo pessoal

Se administrar a rotina da propriedade já exige dedicação, Marina precisou aprender a conciliá-la com a maternidade.

Ela se casou aos 19 anos e permaneceu aproximadamente quatro anos no relacionamento. Hoje separada, afirma que o pai da menina não participa dos cuidados com a filha. Na propriedade, são os avós maternos que formam sua principal rede de apoio.

A menina, mesmo com apenas 2 anos, já acompanha alguns momentos da rotina rural.

Maísa acredita que o contato diário com os animais pode fazer com que a filha também desenvolva uma ligação com o campo.

“Ela gosta muito daqui, de ter contato com os animais. Ela fica estressada quando fica dentro de casa”, conta.

A possibilidade de futuramente precisar passar mais tempo na cidade por causa dos estudos da filha é uma das poucas situações que fazem Marina imaginar uma rotina diferente.

“Às vezes comentam aqui em casa de ter que comprar uma casa na cidade, porque tenho uma menininha e ela vai ter que estudar. Aí eu fico: ‘Nossa, vai ser difícil adaptar na cidade’.”

Ao falar sobre o futuro, Maísa conecta a expansão da atividade pecuária ao crescimento conquistado nas redes sociais.

Mais do que aumentar o número de seguidores, ela diz querer usar a própria experiência para conversar com outras mulheres, especialmente aquelas que trabalham no campo, são mães ou precisam reconstruir a vida depois de uma separação.

“Quero passar para as mulheres que me acompanham que somos capazes de ser independentes. Eu, como mãe, quero mostrar para as mulheres que passaram por um término, por uma separação, que a gente consegue dar a volta por cima.”

Para Marina, trabalhar na pecuária não significa abrir mão de outros aspectos de sua identidade.

“A gente consegue ter o nosso trabalho, cuidar dos nossos filhos, se cuidar também, ter vaidade, trabalhando no campo. Meu foco é passar para outras mulheres que a gente tem capacidade de trabalhar no campo e continuar feminina.”

Mesmo com o crescimento nas redes, Maísa diz não ter planos imediatos de abandonar a atividade que deu origem ao conteúdo. “Eu gosto muito da pecuária. Quero crescer cada vez mais no ramo.”

Foto: Arquivo pessoal

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