A chegada de uma massa de ar polar derrubou as temperaturas no Sul e em parte do Centro-Sul do Brasil neste fim de semana, enquanto áreas do Brasil Central começam a receber chuva. Apesar das precipitações previstas, os volumes ainda não são suficientes para garantir condições adequadas para o início do plantio da safra 2026/27 em importantes regiões produtoras.
Segundo o meteorologista do Canal Rural, Arthur Müller, a influência do El Niño continua sendo um dos fatores de atenção para o comportamento das chuvas durante o início da primavera. A tendência é de que o período chuvoso demore a se estabelecer de forma mais consistente, principalmente em áreas de Mato Grosso e Goiás.
Chuva chega, mas ainda não é suficiente para o plantio
Neste domingo, a faixa de instabilidade avança sobre áreas do Brasil Central e deve provocar chuva no norte de Goiás, norte de Minas Gerais e sul do Espírito Santo.
Nessas regiões, os acumulados podem chegar a 20 a 30 milímetros, contribuindo para a recuperação da umidade do solo. O volume, entretanto, ainda é considerado insuficiente para dar segurança ao início dos trabalhos de semeadura.
A situação é especialmente importante para o Centro-Oeste. Em áreas de Mato Grosso, por exemplo, a previsão de chuva para os próximos dias não representa, necessariamente, o início da regularização do regime de precipitações.
Em Primavera do Leste (MT), os modelos indicam acumulados de aproximadamente 15 a 20 milímetros, mas sem perspectiva de continuidade das chuvas ao longo de setembro. Ao mesmo tempo, as temperaturas podem permanecer próximas dos 39°C a 40°C, cenário que dificulta o início do plantio.
Produtor pode ter de esperar até outubro
Diante desse cenário, a expectativa é de que produtores de Mato Grosso e Goiás precisem aguardar até a segunda quinzena de outubro para encontrar condições mais favoráveis ao início dos trabalhos em campo.
A previsão também aponta temperaturas elevadas nos próximos dias sobre o Brasil Central e o Matopiba.
O alerta é para que o produtor não interprete episódios isolados de chuva como uma mudança definitiva no padrão climático. Para o início do plantio, além de um primeiro volume de precipitação, é necessário que as chuvas tenham continuidade suficiente para manter a umidade do solo.
Chuva pode atrapalhar colheita no Sul e Sudeste
Se no Centro-Oeste a preocupação é com a falta de regularidade das chuvas, em partes do Centro-Sul o excesso de precipitação em um curto período pode provocar problemas operacionais.
Entre 10 e 14 de setembro, a previsão indica volumes mais elevados de chuva em áreas de São Paulo, Paraná, Santa Catarina e sul de Mato Grosso do Sul.
A precipitação deve se concentrar em poucos dias, o que pode dificultar as atividades no campo, especialmente a finalização da colheita do algodão e do milho segunda safra.
Em São Paulo, além da chuva, a próxima semana será marcada por uma queda expressiva das temperaturas. Na capital paulista, a mínima pode ficar próxima de 13°C na segunda-feira, enquanto áreas do interior também devem registrar redução significativa das temperaturas.
Massa de ar polar derruba temperaturas
A massa de ar polar avança pelo Sul e mantém o risco de geada em áreas produtoras do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná.
No domingo, o frio avança para Santa Catarina, sul de Minas Gerais e sul de Mato Grosso do Sul. Nas áreas serranas do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, há possibilidade de temperaturas negativas e ocorrência de neve.
Apesar da queda de temperatura, o risco de geada não deve atingir com a mesma intensidade São Paulo, sul de Minas Gerais e Mato Grosso do Sul.
El Niño mantém o clima como ponto de atenção
Para o produtor, o principal sinal da previsão é a irregularidade das chuvas no início da primavera.
A expectativa de um período chuvoso ainda pouco consistente reforça a necessidade de cautela na tomada de decisão para o plantio da safra 2026/27. De acordo com Arthur Müller, o El Niño ajuda a explicar parte desse comportamento e pode contribuir para o atraso da regularização das chuvas em áreas do Centro-Oeste.
A tendência, portanto, é de que episódios de chuva ocorram ao longo das próximas semanas, mas sem necessariamente representar o estabelecimento definitivo da estação chuvosa.