
Uma nota técnica elaborada pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), pelo Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), pela Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) e pelo Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), divulgada nesta terça-feira, aponta que há mais de 95% de probabilidade de o fenômeno El Niño persistir durante todo o segundo semestre de 2026, com possibilidade de se estender até o início de 2027.
Veja em primeira mão tudo sobre agricultura, pecuária, economia e previsão do tempo: siga o Canal Rural no Google News!
As projeções do Climate Prediction Center (CPC), da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), também indicam que o evento pode atingir intensidade de forte a muito forte, cenário capaz de provocar mudanças significativas no regime de chuvas e nas temperaturas em diversas regiões do Brasil.
Segundo o chefe da Divisão de Previsão do Tempo e Clima do INPE, Enver Ramirez, pequenas alterações na interação entre oceano e atmosfera podem influenciar a intensidade e os impactos do fenômeno. Por isso, embora o cenário seja favorável a um episódio forte, o monitoramento continuará sendo atualizado nos próximos meses.
Veja como o El Niño pode afetar cada região do Brasil
Norte
A nota técnica aponta tendência de redução das chuvas, especialmente entre junho e março, favorecendo secas prolongadas, temperaturas acima da média e aumento do risco de incêndios florestais, principalmente na Amazônia Legal. Estudos citados no documento mostram que, durante o forte El Niño de 2015, os focos de incêndio aumentaram cerca de 36% em relação à média dos 12 anos anteriores.
Outro impacto esperado é a redução dos níveis dos rios amazônicos, comprometendo a navegação, o abastecimento de comunidades ribeirinhas, a pesca, a produção agrícola e até a geração de energia hidrelétrica. O documento ressalta, porém, que as condições do Oceano Atlântico Tropical podem amenizar parte desses efeitos na porção leste da Amazônia, embora ainda seja cedo para confirmar essa influência.
Nordeste
A tendência é de redução das chuvas, principalmente na faixa norte da região. Com menor nebulosidade, espera-se aumento das temperaturas e da evaporação, agravando o déficit hídrico e elevando o risco de incêndios florestais em áreas vulneráveis. A combinação entre calor intenso e menor volume de precipitações também pode afetar a agricultura e o abastecimento de água.
Centro-Oeste
Embora a relação entre o El Niño e o clima do Centro-Oeste seja menos direta, a nota técnica indica uma tendência consistente de temperaturas acima da média em toda a região, especialmente durante a primavera e o verão.
O calor mais intenso, aliado à baixa umidade do ar no fim do inverno e na primavera, aumenta o risco de queimadas.
Em contrapartida, durante episódios fortes do fenômeno, Mato Grosso do Sul e parte de Goiás costumam registrar chuvas mais regulares no verão e no outono, o que pode beneficiar parte da produção agrícola e amenizar parcialmente o calor. Já o norte da região tende a apresentar maior irregularidade na distribuição das chuvas.
Sudeste
Os impactos sobre o Sudeste tendem a variar conforme a atuação de outros sistemas atmosféricos. Em geral, espera-se aumento das temperaturas médias, principalmente durante a primavera e o verão, favorecendo ondas de calor mais frequentes e prolongadas.
Na distribuição das chuvas, o fenômeno pode deslocar a Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS) mais para o sul, favorecendo volumes acima da média no sul de São Paulo e no centro-sul de Minas Gerais e do Rio de Janeiro, enquanto áreas mais ao norte podem enfrentar estiagens e veranicos prolongados. Durante a primavera, também há indicativos de condições mais secas em Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro, Goiás e Bahia.
Sul
A nota técnica indica maior probabilidade de chuvas acima da média ao longo do segundo semestre, elevando o risco de tempestades, enchentes e inundações.
O fortalecimento da corrente de jato subtropical favorece a formação de sistemas de tempestades e de ciclones extratropicais mais intensos.
Apesar de ser frequentemente associado ao aumento das chuvas na região, o El Niño também tende a elevar as temperaturas médias no Sul durante o inverno e a primavera, reduzindo a frequência e a duração das ondas de frio e das geadas mais severas.
O post El Niño pode provocar ondas de calor, enchentes e seca no Brasil; veja os impactos por região apareceu primeiro em Canal Rural.